Há cada vez mais portugueses com um seguro de saúde, mas apesar da oferta ser muita, a escolha pode não ser a mais acertada. A Economia 24 foi perceber como podemos escolher o melhor seguro e se o final do ano é uma boa altura para reavaliar o que paga.

- O que é um bom seguro de saúde?

O seguro de saúde visa a proteção, ou a cobertura do risco de cuidados médicos. Um bom seguro de saúde, terá aliada a componente de risco, o aparecimento involuntário de uma doença e a cobertura de despesas médicas. E depois variará de pessoa para pessoa, de acordo com as suas características – género, idade, se agrega ou não a família.

- Por exemplo?

Se se trata de uma mulher em idade fértil, fará sentido ter a cobertura de parto, mas variará sempre de pessoa para pessoa.

- Com tantas ofertas no mercado, como é que conseguimos escolher?

O seguro de saúde tem associado em determinado número de escalões, ao longo da vida do seguro que dependem dos fatores que referi. Depois há seguros que oferecem coberturas muito especificas. O momento da negociação, ou da verificação das condições, depende de pessoa para pessoa. Da verificação em determinado momento da vida daquilo que quer salvaguardar.

- Por exemplo?

O risco oncológico. Já há seguros que têm exclusivamente por objeto a cobertura da doença oncológica, incluindo os tratamentos.

- Têm um custo mais elevado?

Naturalmente. Na ordem das centenas de euros por mês. Ainda não é um seguro massificado.

- Para os mais idosos também há seguros?

Sim porque o seguro de saúde pode não excluir doenças pré-existentes. Pelo contrário. A regra é a da cobertura, a menos que haja exclusão. Estamos a falar de uma cobertura muito concreta em que o que está em causa é um cuidado continuado e a cobertura mais comum nos portugueses, em matéria de seguro de saúde, é a de ambulatório, por tanto, as consultas, que podem ser de rotina. Por isso, é comum haver ofertas para todas as idades.

- Um seguro de saúde no que difere de um plano de saúde?

O seguro tem sempre um risco associado, a doença involuntária. O Plano de Saúde permite o acesso a uma determinada rede de prestadores de cuidados, com desconto ou mediante a possibilidade de se pedir o reembolso. 

NOTA: No de plano de saúde se vai a uma clínica que não tem acordo, não tem qualquer desconto. Com o seguro, mesmo que a dita clínica não esteja na rede, pode sempre pedir o reembolso.

- Há alguma altura no ano que seja melhor para reavaliarmos o nosso seguro?

No momento em que estamos a alcançar determinado escalão, o que vai implicar, normalmente, uma alteração no prémio de seguro, fará sentido avaliar no mercado se, nas condições em que estou e com as mesmas coberturas, há outro seguro que seja mais vantajoso. A altura, dependerá, mas como em regra os seguros são anuais com renovação, será o fim da anuidade.

NOTA: não assine nada que não perceba. Leia todas as letras do que vai contratar. Se não entender peça a ajuda de quem sabe e tenha atenção ao período de carência. Não é líquido, por exemplo, que não tenha período de carência quando faz só a alteração das coberturas.

IRS

Não se esqueça que o seguro de saúde pode ser deduzido no IRS. O Código do IRS admite que 15% dos prémios pagos sejam deduzidos no IRS. No entanto, tenha em conta que existe um limite para as deduções com despesas de saúde que podem ser consideradas: 1.000 euros. Ou seja, nunca poderá deduzir mais do que isto, seja qual for o gasto que fez.

Nos primeiros meses do ano seguinte (2020), a seguradora deve enviar-lhe uma declaração onde constam as despesas efetuadas com estes prémios. Depois, deve incluir este valor no anexo H do seu IRS ou verificar se já está pré-preenchido.

Alda Martins