Os mercados globais estão a ser alvo de um abanão pelo facto de a AP dar Donald Trump eleito Presidente dos Estados Unidos. Estamos a falar da maior economia do mundo. Daí que o impacto não seja sentido apenas em Wall Street, mas inevitavelmente em todo o mundo. Os primeiros a reagir - e muito a quente em períodos de incerteza - são os mercados acionistas, de capitais, da dívida e das matérias-primas. A vitória de Trump traduz-se num choque de expectativas para os investidores, sobretudo depois de o FBI ter decidido não acusar Hillary Clinton.

Os futuros do índice norte-americano S & P 500 - que reúne as 500 maiores empresas - derrapam 5%.

O VIX, que é o índice de volatilidade, normalmente conhecido como o índice do medo, está a disparar 25%. Poderá sinalizar o sentimento que emanará das bolsas norte-americanas quando abrirem à negociação pelas 14:30.

Se as quedas forem de 5%, as negociações podem vir a ser suspensas, pelo que preveem as regras. Teremos de esperar para perceber se as bolsas abrirão normalmente ou não. 

A bolsa japonesa já terminou a sessão de hoje e afundou 5,36%, na maior queda desde o rescaldo do Brexit. O Governo nipónico e o Banco Central do Japão convocaram logo uma reunião de emergência. Em Hong Kong, um recuo acima de 2%.

Pela Europa, os mercados acionistas vão à negociação daqui a pouco, a partir das 08:00. Os futuros apontam também para fortes quedas: o FTSE 100, ou seja, a praça de Londres, está a cair 3,4%. 

O ouro também a sua maior subida desde o Brexit (à volta de 3,6%), tal como o iene e os títulos soberanos. A fuga dos investidores para ativos de refúgio como estes é natural numa situação como esta.

Já o peso mexicano está a registar a maior desvalorização desde 2008 - 12% - acusando uma preocupação crescente com as políticas comerciais dos Estados Unidos. 

O euro está também a valorizar face ao dólar, passando de 1,10 dólares da sessão de ontem, para 1,1179 dólares esta manhã. 

O petróleo recua mais de 1,5% um pouco por todo o mundo. O crude norte-americano desde 1,7% para o patamar nos 44 dólares e o Brent de Londres a mesma coisa, mas para 45 dólares por barril. 

Embora os investidores costumem percepcionar os republicanos como mais conservadores e, portanto, mais previsíveis nas políticas que põem em prática, nesta eleição acontece o contrário. Trump é visto como imprevisível.

Daí os mercados acionistas globais terem revelado otimismo nos últimos dois dias, depois de o FBI ter dito no domingo que mantém a posição de que nenhuma acusação criminal é justificada contra Clinton por ter usado um servidor de e-mail privado quando foi secretária de Estado.

Os investidores viam Clinton como a candidata do status quo, em contraste com Trump, que não tem um longo currículo político e optou por uma campanha à sua imagem, com um tom polémico.

 
Vanessa Cruz