O Financial Times fez um balanço do último ano de governação em Portugal, dizendo que superou as expectativas. António Costa merece elogios que os seus “níveis de popularidade" espelham. "Outros líderes de centro-esquerda na Europa apenas podem sonhar” com algo do género.

[O Governo tem] indubitavelmente registado um desempenho que superou as previsões iniciais para o seu Governo de minoria socialista, que depende dos votos parlamentares dos radicais do Bloco de Esquerda e da linha dura do Partido Comunista (...) Tão altas eram as expectativas de que esta parceria improvável ia falhar que o primeiro-ministro já desafiou a maioria dos críticos apenas e só por sobreviver para um segundo ano no cargo”.

As divergências foram superadas e as obrigações europeias cumpridas. Ou seja, para o correspondente do jornal económico em Lisboa, Peter Wise, a geringonça “manteve-se firme”, apesar do ceticismo do líder da oposição, dos credores internacionais, dos mercados financeiros e das agências de rating.

Baseia essa constatação no facto de Bruxelas ter aprovado o Orçamento do Estado e de Portugal ter evitado sanções por causa do défice excessivo entre 2013 e 2015.

Por outro lado, “nem mesmo a pressão da esquerda para reestruturar a dívida ou endurecer as leis laborais tem assustado as grandes companhias estrangeiras incluindo a Volkswagen, a Continental e a Bosch, que aumentaram o seu investimento”.

A redução do desemprego de 12,6% para cerca de 10% e o aumento do consumo privado com a reversão das medidas de austeridade são sublinhados, mas o FT alerta, ao mesmo tempo, que os estímulos do Governo à economia podem ser insuficientes para atingir um ritmo de crescimento próximo, por exemplo, ao de Espanha. “É a fórmula errada” para atrair investimento e crescer, avisa. A elevada dívida pública é também um problema, bem como a situação dos bancos.

O que disse o jornal sobre o Governo de Passos?

Em fevereiro de 2014, ainda estava no poder a coligação PSD/CDS de Passos Coelho e Paulo Portas, o mesmo Financial Times dizia que Portugal era nessa altura "o herói-surpresa" da retoma na Zona Euro. O jornal referia que o país estava a conseguir dar a volta à crise, em grande parte devido ao setor do turismo e ao aumento das exportações.

Em julho de 2013, porém, o editorial não foi abonatório. Um dia depois da demissão de Paulo Portas Portugal estava a «atingir os limites políticos da austeridade». O diário perspetivava que qualquer que fosse o resultado da crise política, o programa de resgate estava em risco. A demissão acabou de irrevogável a revogável e o governo conseguiu ultrapassar essa crise política.

Dois meses antes, falava também na austeridade que estava a "polarizar cada vez mais o país", sublinhando a divisão interna e dizendo que o Governo estava cada vez mais isolado. O aumento de protestos foi igualmente destacado pela publicação nesse período.

Redação / VC