O presidente do Conselho de Administração da CGD afirmou esta quinta-feira o “compromisso” da atual gestão do banco público em “concluir o processo de recapitalização” e “retomar plenamente” o seu “lugar de instituição de referência” no sistema financeiro português.

Falando no Porto na sessão de abertura do I Encontro Fora da Caixa, naquele que foi “o primeiro ato público” da nova administração da Caixa Geral de Depósitos (CGD) desde que assumiu funções, há cerca de um mês, Emílio Rui Vilar assumiu o “firme compromisso de levar a bom termo as tarefas prioritárias” colocadas à atual gestão.

“Tarefas prioritárias” que disse serem a conclusão do processo de recapitalização do banco, a reestruturação e redimensionamento do grupo CGD e a retribuição ao acionista Estado, “com resultados sustentáveis”, do “esforço financeiro realizado”.

Paralelamente, Rui Vilar assumiu como prioridade “retomar plenamente o lugar de instituição de referência no sistema financeiro português” e “cumprir com a razão de existir” do banco, “que é servir a economia e a sociedade portuguesas, defendendo a poupança das famílias e apoiando o desenvolvimento das empresas”.

A este propósito, assegurou que “as empresas podem contar com a CGD nos seus esforços de ganhar competitividade nos mercados, em especial nos mercados externos”.

Na sua intervenção, o presidente do Conselho de Administração da CGD referiu ainda o “significado simbólico” de o primeiro ato público da nova gestão acontecer “no Norte e na cidade do Porto”, que descreveu como “sede do ânimo empreendedor, do respeito pelo valor do trabalho, da capacidade de criar, de inovar, da ousadia de criar riscos e da tenacidade em vencer obstáculos”.

O compromisso que há pouco referi já está a traduzir-se em atos e este encontro significa, desde logo, uma atitude consequente de abertura e interação, conhecendo melhor e mais proximamente a realidade, analisando mais aprofundadamente o contexto em que operamos e procurando pôr em perspetiva as decisões cujos efeitos se prolongam no tempo, com uma renovada confiança no futuro”, concluiu Rui Vilar.

Polémica foi "acidente de percurso"

O presidente do Conselho de Administração da CGD, Rui Vilar, descreve a polémica em torno da curta gestão de António Domingues como um “acidente de percurso” utilizado para “luta política” que, contudo, não afetou a imagem do banco público.

Há acidentes de percurso nas instituições, como há na vida de cada um de nós, e o importante é que hoje há condições para encararmos o futuro positivamente”, afirmou o ‘chairman’ da Caixa Geral de Depósitos.

Recorrendo à expressão utilizada momentos antes pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa (que participou na sessão de abertura do encontro), Rui Vilar enquadrou toda a polémica gerada em torno da demissão da equipa liderada por António Domingues - que o próprio Vilar integrou, como vice-presidente não executivo, e que saiu de funções na sequência da exigência de entrega das declarações de rendimentos e de património junto do Tribunal Constitucional – na “espuma dos dias” que é o “combate político”.

Uma coisa é a espuma dos dias, é o combate político, outra coisa é a realidade e o bom senso com que as pessoas avaliam a luta política e a sabem distinguir dos interesses fundamentais do país”, disse à Lusa.

E, neste caso, considerou, “os factos foram utilizados para a luta política e não julgados de uma maneira objetiva e serena, como seriam noutro contexto”.

Para Rui Vilar, “o importante” é que este processo “foi ultrapassado” e hoje “a Caixa tem uma administração estável, que está a cumprir um programa com uma visão de futuro”.

O que nós devemos é olhar de uma maneira positiva para o futuro, aproveitando todas as virtualidades de uma grande instituição em que os portugueses têm confiança”, sustentou, salientando que a imagem da CGD enquanto “instituição de referência” no país “não foi posta em causa porque os portugueses continuaram a confiar” no banco público.

Relativamente à constituição de uma nova comissão de inquérito para apreciar a atuação do Governo na nomeação e demissão da anterior administração da CGD – pedida por PSD e CDS-PP e que toma posse no dia 14 – Vilar diz que “é um direito do parlamento” e assegurou à Lusa que “a Caixa prestará os esclarecimentos que lhe forem solicitados, desde que não ponham em causa princípios fundamentais da profissão e do dever de sigilo para com os clientes”.

Após ter entrado em 2016 para a CGD como vice-presidente não executivo na administração liderada por António Domingues - cujo mandato deveria ter vigorado até 2019, mas que se demitiu em novembro passado na sequência da polémica em torno da entrega das declarações de rendimentos e de património junto do Tribunal Constitucional - Rui Vilar acabou por renunciar ao cargo em dezembro para, em 2017, iniciar um novo mandato no banco público, mas já integrado na equipa de Paulo Macedo.

/ AM