Os 99 trabalhadores do grupo Orfama, em Braga, abrangidos pelo despedimento coletivo anunciado em 2012 cumprem na segunda-feira o último dia na empresa, «caindo» depois no desemprego, informou esta sexta-feira fonte sindical.

O coordenador do Sindicato Têxtil do Minho, Francisco Vieira, disse à Lusa que os trabalhadores recebem hoje mesmo as cartas para o fundo de desemprego e as respetivas indemnizações.

Aquele despedimento coletivo abrangeu também 20 trabalhadores da French Fashions, do mesmo grupo, mas estes chegaram logo a acordo com a administração, abandonando a empresa logo nessa altura.

A Orfama justificou o despedimento coletivo com «motivos de mercado correspondentes à redução da atividade da empresa resultante da diminuição atual e previsivelmente crescente da procura dos seus bens e serviço», fruto da «progressiva» degradação do setor têxtil e da crise económica global.

Na carta enviada aos trabalhadores, o grupo falava num previsível decréscimo de 1,2 milhões de euros no volume de negócios, passando de 8,4 milhões em 2011 para 7,2 em 2012.

«É a lengalenga do costume», criticou Francisco Vieira, afirmando que a empresa estará a deslocalizar «grande parte» da sua produção para o Bangladesh.

O sindicalista lembrou que nos últimos tempos os trabalhadores estavam a fazer mais numa hora por dia e que no Natal não puderam gozar os dias de férias que estavam programados, «para a empresa conseguir satisfazer as encomendas».

«Não tem qualquer fundamento estar a falar do mercado, da crise, seja lá do que for. Aqui, o que se trata é de procurar o lucro fácil, deslocalizar a produção para onde a mão-de-obra é mais barata», acusou.

A Orfama emprega atualmente 263 trabalhadores, um número que agora vai baixar substancialmente, com a saída dos 101 abrangidos pelo despedimento coletivo.

A empresa não tem salários em atraso e os trabalhadores vão receber um mês de salário por cada ano de trabalho.

Alguns dos trabalhadores despedidos têm mais de 40 anos de casa.
Redação / CPS