A TAP aguarda ajuda urgente há mais de 40 dias do Governo, mas ainda aguarda resposta sobre os apoios. 

A TVI teve acesso a uma carta de 20 de março entregue pela comissão executiva da TAP ao regulador, ao governo e ao Parlamento, que descrimina os apoios solicitamos. Na carta, a TAP já apelava à "intervenção urgente" mas quase um mês e meio depois as negociações ainda não começaram.

O Governo quer negociar condições com a empresa, tendo o ministro das Infra-estrutura já recusado dar apenas uma garantia de Estado a um empréstimo de 350 milhões à empresa. No Parlamento, Pedro Nuno Santos disse aliás que a empresa não estava a dizer toda a verdade sobre o dinheiro que precisa.

Os efeitos da pandemia, escrevia a TAP então, "põem em causa a sustentabilidade da posição financeira do Grupo TAP a curto prazo", sendo que "o atual fraco volume de vendas não é suficiente para que o Grupo TAP possa honrar os seus compromissos com custos fixos", havendo "necessidades imediatas de 350 milhões de euros".

As ajudas totalizam na verdade 670 milhões de euros, uma vez que incluem vários tipos de apoios:

1) FINANCIAMENTO 
- Garantia de Estado para empréstimo de 350 milhões 
- Garantia de Estado a fornecedores para negociar prazos de pagamento
- Empréstimo-ponte da Parpública de um ano 

2) IMPOSTOS E TAXAS
- isenção de 70% da TSU da empresa durante 12 meses 
- moratória de um ano para outros 30%
- moratória 6 meses para entrega de IRS dos trabalhadores
- Pré-reforma de trabahadores com mais de 60 anos sem penalizações
- moratória de 6 meses para pagar taxas ao SEF e ANAC
- isenção de um ano de taxas à ANA

3) OUTRAS
- Uso de bases militares para estacionar aviões
- Adiar pagamento de licenças de Co2 em um ano
- Autorizar reembolsos de bilhetes por vouchers

Seguem-se as negociações, em ambiente político duro entre a empresa e o governo.

Pedro Santos Guerreiro