O setor eólico espanhol advertiu esta segunda-feira o Governo sobre as consequências para a indústria de decisões retroativas sobre tarifas, medida incluída nas propostas de Mariano Rajoy para atacar um défice tarifário de 24 mil milhões de euros na eletricidade.

À semelhança de Portugal, o Governo espanhol decidiu recentemente suspender todas as licenças de novos parques de energia renovável e apresentou um pacote de medidas que inclui vários cortes à subsidiação da produção de eletricidade de forma a atacar um défice tarifário, diz a Lusa.

A EDP Renováveis é um dos principais produtores de energia eólica em Espanha, sendo que, em termos de capacidade instalada, é o seu segundo maior mercado, com 2.201 «megawatts» de potência, logo seguido de Portugal com 613 «megawatts». O maior mercado da subsidiária da EDP é o norte-americano, com 3.422 «megawatts» de capacidade instalada.

Em Portugal, o défice tarifário supera os 3 mil milhões de euros. O défice tarifário resulta da diferença entre o custo de produção de eletricidade e o que o consumidor paga.

Em comunicado, a Associação Empresarial Eólica (AEE) lembra que, em resultado da moratória imposta sobre as energias renováveis no início deste ano, a situação é «insustentável» e está em jogo «a sobrevivência da indústria», pedindo «segurança jurídica» para os investimentos e «sinais futuros».

O setor da energia eólica está «disposto a fazer sacrifícios» para resolver o problema do défice tarifário, mas acrescenta que não deve passar por decisões que tenham medidas retroativas «que iriam colocar em perigo a sobrevivência do setor e a permanência da indústria em Espanha».