A Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa (EMEL) está a criar por ano 20 mil lugares de estacionamento tarifado para ter uma cobertura da totalidade do município de Lisboa em 2020. “As juntas de freguesia reclamam a nossa presença”, garante o presidente da empresa, Luís Natal Marques, em entrevista ao Negócios.

À pergunta se faz sentido todo o estacionamento ser pago, Luís Marques responde que "É bom que se diga que a empresa providencia a criação de lugares de estacionamento exclusivos a residentes. O problema do estacionamento em Lisboa não existe porque quem cá mora o cria. É nos 370 mil que diariamente entram que está o principal problema. Mas para que as pessoas não tragam o veículo para a cidade há necessidade de criar alternativas. Desde logo, transportes públicos em melhores condições e mais apetecíveis, até do ponto de vista do preço. Também parques dissuasores que, estando situados na periferia e junto dos grandes nós de transporte público, levem a que as pessoas decidam estacionar aí e entrarem na cidade num meio de transporte mais limpo e mais rápido."

Sobre o facto de a maioria dos utilizadores/ cidadãos "odiarem" a EMEL, o responsável refere que "a minha grande aspiração é tornar a EMEL a empresa mais amada de Lisboa. A gestão dos conflitos de interesse entre os que cá moram e os 370 mil veículos que entram diariamente é uma geometria de muito difícil resolução. Isto é conseguir que a cidade acomode, para além dos 200 mil veículos dos residentes, os 370 mil que chegam. Não é dizer que alguém tem de pôr ordem nisto, mas alguém tem de fazer a regulação dos interesses em presença."