O Eurogrupo defendeu que o aumento acentuado nas novas infeções de covid-19 na Europa e as novas medidas restritivas adotadas “aumentaram ainda mais a incerteza” sobre a economia da zona euro e “deverão pesar” na recuperação.

“A recente aceleração na propagação da covid-19 e as novas medidas de contenção aumentaram ainda mais a incerteza e são suscetíveis de pesar sobre a recuperação”, afirma em comunicado a estrutura que junta os ministros das Finanças da zona euro, que hoje se reuniu por videoconferência.

Neste encontro à distância, houve então uma “discussão aprofundada sobre as perspetivas económicas, tendo em vista os atuais desenvolvimentos da covid-19” na Europa, com a estrutura a ser informada na ocasião sobre a evolução na situação epidemiológica pela diretora do Centro Europeu de Controlo de Doenças, Andrea Ammon.

“O Eurogrupo está a acompanhar de perto a evolução da situação sanitária e a acompanhar os impactos económicos e as previsões”, acrescenta o Eurogrupo na declaração à imprensa.

E, para isso, os ministros das Finanças da zona euro vão continuar a “coordenar e a implementar vigorosamente, a todos os níveis, políticas económicas ambiciosas que complementem a resposta sanitária, protejam o emprego e façam avançar a recuperação económica, em todo o continente”, assegura o fórum informal.

Nas últimas previsões económicas, divulgadas em julho passado, a Comissão Europeia reviu em baixa as projeções para a economia da zona euro este ano devido à pandemia de covid-19, estimando agora uma contração de 8,7% do Produto Interno Bruto (PIB).

Com a introdução de novas medidas restritivas na Europa – como novos confinamentos mais ligeiros em França, Bélgica e Alemanha –, a queda do PIB poderá ser ainda mais acentuada e a recuperação da zona euro deverá demorar mais do que esperado.

É isso que deverão revelar as próximas previsões do executivo comunitário, que serão divulgadas esta quinta-feira.

Na reunião de hoje, o Eurogrupo fez um “balanço das medidas adotadas até agora” de apoio às economias europeias, considerando que “a Europa reagiu energicamente à pandemia”.

“As respostas coordenadas amorteceram o impacto económico das medidas de contenção nos cidadãos e nas empresas. Com o desenrolar da segunda vaga da covid-19, a Europa está agora mais bem equipada para resistir às consequências económicas”, argumentam os ministros das Finanças da zona euro.

Ainda assim, “o Eurogrupo considera vital que o apoio orçamental em cada Estado-membro continue em 2021, dado o risco acrescido de uma recuperação atrasada, devendo também ajustar-se à situação à medida que esta evolui”, insta a estrutura no comunicado.

Já recordando o Fundo de Recuperação de 750 mil milhões de euros, aprovado pelos lideres europeus em julho passado e que tem de ter agora o aval final da assembleia europeia, os ministros das Finanças da zona euro dizem esperar que “o Conselho e o Parlamento cheguem a um acordo antes do final de 2020”.

“Hoje, sublinhámos também a importância de [os Estados-membros da UE] apresentarem rapidamente planos de Recuperação e Resiliência ambiciosos, traçando um conjunto coerente de reformas”, adianta.

O plano português foi entregue em meados de outubro à Comissão Europeia e tem como prioridades a criação de respostas sociais, com a aposta no Serviço Nacional de Saúde e na habitação, e a promoção do emprego através de mais investimento e competências.

/ AM