"Não se pode gastar o seu dinheiro em copos e mulheres e depois pedir que o ajudem”. Quem fala, não está a falar de um viciado, mas sim dos países do Sul que pediram resgates financeiros à troika. Países como Portugal. Quem faz esta comparação é o atual presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, que confrontado, ontem, com as declarações que fez ao Frankfurter Allgemeine recusou pedir desculpa.

Durante a crise do euro, os países do Norte mostraram-se solidários com os países afectados pela crise. Como social-democrata, atribuo à solidariedade uma importância excecional. Porém, quem pede [ajuda] também tem obrigações. Não se pode gastar o dinheiro em copos e mulheres e depois pedir que o ajudem”, afirmou, aqui citado pelo Financial Times.

O eurodeputado espanhol Ernest Urtasun confrontou ontem Dijsselbloem com as suas próprias palavras, dizendo que foram "infelizes". Carregou na ironia ao interpelar o presidente do Eurogrupo: "Talvez para si seja engraçado, mas eu não acho que seja. Gostaria de saber se esta é a sua primeira declaração como candidato para renovar o seu cargo de presidente do Eurogrupo"

Dijsselbloem relativizou e não pediu desculpa: "Não se ofendam, isto não é sobre um país, é sobre todos os nossos países. A Holanda também falhou no cumprimento do que foi acordado", tentou contornar.

Disse também que não existe "um conflito entre as regiões do Eurogrupo", mas foi ele mesmo quem separou as águas entre Norte e Sul da Europa. 

Entretanto, o Governo português já veio pedir o afastamento de Dijsselbloem do cargo, com o ministro dos Negócios Estrangeiros a lamentar aquilo que considera serem "declarações muito infelizes e, do ponto de vista português, absolutamente inaceitáveis."

Embora se tenha mostrado ontem disponível para continuar a liderar o Eurogrupo - que junta os países que partilham a moeda única - Jeroen Dijsselbloem está cada vez sob maior pressão, até por ter sofrido uma derrota pesada nas eleições regionais, como seu Partido Trabalhista, na semana passada. Dijsselbloem mantém-se como ministro das Finanças apenas provisoriamente.

No Parlamento Europeu, as suas acusações foram olhadas como um "insulto" e algo até "bregeiro", com eurodeputados a alegarem que Dijsselbloem perdeu a sua "neutralidade" como chefe do Eurogrupo. O mandato como presidente termina em janeiro de 2018. 

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