O governador do Banco de Portugal (BdP) avisou esta sexta-feira que, apesar dos “progressos notáveis” alcançados nos últimos anos, a arquitetura financeira da Europa ainda tem de ser reforçada para resistir ao impacto de uma eventual crise futura.

Esta deve ser uma prioridade para os decisores políticos e as instituições relevantes, porque nada poderá ser mais destrutivo para a confiança nas instituições europeias do que as ameaças à estabilidade financeira. Em particular, é necessária uma vontade política decisiva para avançar com a conclusão da União Bancária e o desenvolvimento da União dos Mercados de Capitais”, disse Carlos Costa falando hoje durante uma conferência "O euro 20 anos depois: a estreia, o presente e as aspirações para o futuro", em Lisboa.

De acordo com o governador, o euro ainda não está totalmente preparado para uma nova crise e “há muito por fazer” e por isso os governos devem “avançar” para finalizar a União Bancária e a União dos Mercados de Capitais.

Para Carlos Costa, estas reformas são essenciais para a zona euro enfrentar uma crise futura, que corre o risco de alimentar movimentos populistas espalhados pelos países europeus.

Precisamos de ter cuidado para não criar um problema de instabilidade financeira, porque tal poderia vir a criar muitos problemas que alimentariam esses populismos”, declarou o governador do BdP durante a conferência.

Durante o seu discurso, o responsável sublinhou que a criação da moeda única é a face “mais visível” da vontade coletiva de 19 Estados-membros “que decidiram partilhar um destino comum e que acreditam que acreditam que juntos são mais fortes”, mas lembrou que a sua construção nunca foi fácil ou consensual.

Vinte anos depois, ao contrário de algumas visões dos profetas da desgraça – que recentemente voltaram novamente a ficar muito ativos, o euro está aqui para ficar”, acrescentou Carlos Costa, advertindo que será sempre um projeto “em construção”, mas deve manter-se “na direção certa” e no “ritmo certo”.

/ AG