O ministro das Finanças grego, Yannis Stournaras, acredita que a Grécia vai pelo bom caminho e que espera mesmo conseguir um excedente primário já este ano.

Numa conferência de imprensa para apresentar os pormenores do acordo alcançado na segunda-feira com a troika para o desembolso da próxima tranche do resgate, Stournaras afirmou que o principal objetivo é conseguir um excedente primário (que exclui o pagamento de juros) já em 2013.

Se conseguir atingir um excedente primário, a Grécia superará os objetivos marcados no segundo memorando, assinado no ano passado entre Atenas e a troika, que estabelecia para este ano um défice primário nulo.

O ministro sublinhou que, a ser alcançado este excedente, a Grécia poderia vir a solicitar uma redução da dívida, ou seja uma anulação, prevista na cláusula do memorando que contempla esta possibilidade no caso específico das finanças superarem as previsões.

O comunicado difundido na segunda-feira pela própria troika admite implicitamente a possibilidade de uma anulação da dívida ao sublinhar que, caso seja necessário, se poderiam aprovar «futuras iniciativas e assistência» para «uma nova e credível redução da relação entre a dívida e o Produto Interno Bruto (PIB)».

O vice-ministro das Finanças grego, Jristos Staikuras, explicou que a execução do Orçamento de Estado (OE) de 2012 foi melhor do que o previsto e que os dados do OE deste ano mostram que em relação às receitas do Estado Atenas «está a conseguir os objetivos».

«Só estamos aquém (dos objetivos) no que diz respeito aos impostos indiretos, ou seja o IVA», adiantou.

O vice-ministro, que compareceu na conferência com Stournaras, adiantou também que a concorrência aumentou sensivelmente, como demonstra o facto do défice comercial se ter reduzido em 85% em janeiro último face ao mesmo mês de 2012.

A análise otimista do governo grego foi partilhada pelo chefe do grupo de trabalho da Comissão Europeia para a Grécia, Horst Reichenbach, que num fórum organizado pelo The Economist em Atenas afirmou hoje que não há dúvida de que a Grécia está a apresentar «resultados tangíveis».

Reichenbach exemplificou a descidas dos custos laborais e o bom andamento das exportações.
Redação