[Notícia actualizada às 15h50 com reacção do BE]

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, disse esta quarta-feira que a chanceler alemã, Angela Merkel, se esqueceu de comparar também os salários dos trabalhadores alemães e portugueses, tal como fez em relação a férias e idade de reforma.

«[A chanceler alemã] falou de férias, falou da idade de reforma, mas não falou dos salários. Como é sabido os trabalhadores alemães ganham quatro ou cinco vezes mais do que os trabalhadores portugueses, mas essa parte nunca é referida», disse o líder comunista citado pela Lusa.

Jerónimo de Sousa comentava as declarações proferidas terça-feira pela chanceler alemã, Angela Merkel, que exigiu a unificação da idade da reforma e dos períodos de férias na União Europeia, enquanto criticava os sistemas vigentes na Grécia, Espanha e Portugal.

Para Jerónimo de Sousa, as declarações de Angela Merkel enquadram-se numa estratégia da direita europeia para reduzir os direitos sociais, sem ter em conta que os trabalhadores portugueses são dos mais mal pagos no seio da União Europeia.

«O que nós verificamos é que esta direita nacional europeia transforma os direitos sociais num mal a abater, nunca, mas nunca, olhando para um País que tem dos salários mais baixos da União Europeia», frisou o dirigente comunista.

«Essa parte é proibida e silenciada pela senhor Merkel, porque ela não quer que os trabalhadores portugueses comparem os salários», concluiu Jerónimo de Sousa.

BE acusa Merkel de «mesquinhez»

O Bloco de Esquerda acusa Angela Merkel de «mesquinhez».

«Precisamos de generosidade e não da mesquinhez que Ângela Merkel quer para a Europa», argumentou Francisco Louçã, depois de uma reunião com dirigentes da CGTP, em Lisboa.

«Desde há muito tempo que a Alemanha tem uma regra: impor sempre a sua palavra». O aumento da idade de reforma significará o «degradar da vida das pessoas que trabalharam uma vida inteira».

«O Bloco de Esquerda contrapõe com uma Segurança Social sustentável e uma reforma que está vinculada ao salário de uma vida inteira».
Redação / CPS