O ministro das Infraestruturas assegurou, no parlamento, que os prejuízos da TAP SGPS não implicam uma injeção de capital neste momento, mas ressalvou não poder garantir que isso não venha a acontecer.

Tendo em conta a situação da TAP nada nos diz que é preciso uma injeção de capital por causa do prejuízo. Nada aponta para que isso aconteça”, indicou Pedro Nuno Santos, durante uma audição parlamentar na Comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas.

Mas, em resposta aos deputados, o governante ressalvou que não é possível garantir que o Estado não tenha que voltar a injetar capital na empresa, tendo em conta que é o maior acionista da companhia aérea.

Não podemos dizer que o Estado nunca vai meter [dinheiro], porque essa é também a responsabilidade de quem gere. É normal em qualquer empresa e também na TAP”, notou.

O líder do Ministério das Infraestruturas lembrou ainda que é justificável a utilização de dinheiros públicos em empresas públicas cujo serviço “é fundamental”, mas reiterou que, atualmente, “não há nenhuma razão para o Estado por dinheiro na TAP”.

O grupo TAP registou, em 2018, um prejuízo de 118 milhões de euros, valor que compara com um lucro de 21,2 milhões de euros registado no ano anterior, conforme foi anunciado em 22 de março.

Por sua vez, a receita do grupo passou de 2.978 milhões de euros em 2017 para 3.251 milhões de euros em 2018, traduzindo-se num aumento de 273 milhões de euros, mais 9,1% face ao período homólogo.

Governo diz que se exigiu demasiado do programa Ferrovia 2020

O secretário de Estado das Infraestruturas afirmou, no parlamento, que se exigiu demasiado do programa Ferrovia 2020, assegurando que o Governo gostaria “de estar mais à frente” na sua execução.

Objetivamente o que se pediu ao programa [Ferrovia 2020] foi muito exigente. Estamos a falar de um programa apresentado em 2016 […] e até a obra chegar ao terreno passou por fases muito complicadas”, referiu Jorge Delgado, durante uma audição parlamentar na Comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas.

O secretário de Estado admitiu que o Governo está atrasado na execução deste programa, mas ressalvou que o objetivo é recuperar “o [maior] tempo possível”, com recurso a um “trabalho intenso”.

Fazendo um ponto de situação do plano, Jorge Delgado indicou que no que se refere ao corredor internacional sul todos os troços estão “na iminência” de entrar em fase de obra.

Já no corredor internacional norte a operação está “um pouco mais atrás”, devido a barreiras ligadas “a questões ambientais e à qualidade dos projetistas”.

Durante a mesma audição, o ministro das Infraestruturas já tinha admitido os atrasos no programa em causa, referindo que estes estão, essencialmente, “na fase de projeto”.

O programa prevê um investimento de 2.000 milhões de euros na ferrovia.