O presidente da Altice Portugal, Alexandre Fonseca, disse esta quinta-feira que a empresa está disponível, numa “lógica de partilha de investimento com o Estado”, para levar “a fibra ótica a 100% do território nacional”.

“Estamos disponíveis para uma lógica de partilha de investimento com o Estado”, para que seja possível o “desígnio que ainda ontem [quarta-feira) o Ministro da Economia e da Transição Digital referia”, que é “levarmos a conectividade a todos os portugueses”, disse.

Numa cerimónia realizada esta quinta-feira em Évora, para entrega de ‘tablets’ à GNR, questionado pela agência Lusa sobre a necessidade de apoios para concluir a cobertura de fibra ótica, Alexandre Fonseca lembrou que, só com o investimento privado da Altice Portugal, a rede já chega a “mais de cinco milhões e meio de lares portugueses”.

Temos a maior e a mais ampla rede de fibra ótica a nível nacional, que cobre mais de 85% dos agregados familiares do nosso país”, acrescentou.

Para chegar “agora ao resto da população, aos 15% dos agregados familiares que faltam, tem que haver efetivamente um compromisso do país”, defendeu.

Para esse desígnio de levarmos a fibra ótica a 100% do território nacional, estamos sempre disponíveis. Há mais de um ano, tenho lançado reptos para que haja efetivamente uma partilha desse investimento”, que é “gigantesco” e “tem de ser complementado com outros investimentos”, assinalou.

O presidente da Altice reiterou que “o ambiente regulatório” no país “não é o melhor” para que as empresas invistam e “tem sido altamente desfavorável ao investimento estrangeiro em Portugal” e ao das empresas “que já cá estão”, mas há disponibilidade “para essa parceria” com o Estado.

Questionado também sobre se o país deveria estar a avançar para o 5G quando a cobertura do 4G ainda não abrange todo o território nacional, Alexandre Fonseca frisou que Portugal “está atrasado” nesta matéria.

Portugal é hoje “um dos poucos países na União Europeia que ainda não tem serviços de 5G ativos. E, portanto, esse é um facto que é inquestionável”, continuou.

Para Alexandre Fonseca, “a questão que se coloca” e à qual, segundo disse, aludiu na quarta-feira o ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, é que se está “a colocar todo o ênfase no 5G” num momento em que ainda não se tem “uma conectividade a nível nacional no que toca ao 4G”.

E não temos porque, de facto, existe menos de 1% da população portuguesa que ainda não tem acesso a esse serviço, mas é 1% da população e, portanto, pareceu-me claro que, nas palavras do ministro, se volta a retirar uma vez mais um total desalinhamento entre aquilo que é a estratégia nacional e do Governo e aquilo que tem sido a postura do regulador”, criticou.

O presidente da Altice aproveitou para questionar “quais as ilações que o presidente da Anacom” retira “destas queixas, deste desalinhamento, destes recados que o Governo tem vindo a deixar” e inquiriu também “quem é que afinal manda no 5G em Portugal”.

É o Governo? É a Anacom?”, perguntou, argumentando que “ficou evidente que a estratégia do Governo não é a estratégia da Anacom, mas que a estratégia que está hoje implementada é a da Anacom, não é a do Governo”.

O processo do 5G tem sido bastante contestado pelas operadoras históricas, envolvendo processos judiciais, providências cautelares e queixas a Bruxelas, considerando que o regulamento tem medidas "ilegais" e "discriminatórias", o que incentiva ao desinvestimento.

As licenças do 5G, cujo leilão está a decorrer, serão atribuídas durante o primeiro trimestre deste ano.

/ JGR