Se o "feeling" de Marcelo Rebelo de Sousa estiver certo as exportações portuguesas terão crescido em novembro. A mensagem de otimismo foi passada pelo Presidente da  República na visita à Autoeuropa, no âmbito dos 25 anos da fabricante automóvel em Portugal.

"O Presidente da República, de vez em quando, tem feelings que as exportações em novembro vão subir claramente. Veremos se o feeling se confirma", disse à margem do evento. Mais pressionado pelos jornalistas, e no dia em que se soube que as exportações caíram 3,5% em outubro e 0,8% desde o início do ano, o chefe de Estado, reforçou ter um "feeling que as exportações para fora da Europa crescem muito em novembro. Se assim for ficamos muito felizes". Nos dados hoje divulgados, as exportações de bens para Angola e China desceram 13,8%.

Ao seu lado, o primeiro-ministro, sorriu e disse que "se o senhor Presidente tem esse feeling não será o Governo a contrariar o feeling do senhor Presidente".

Sobre os dados de hoje, António Costa afirmou serem consistentes com a "reanimação que economia portuguesa tem vindo a ter e vai continuar. Estamos confiantes sobre o futuro".

Costa comentou ainda as conclusões da quinta avaliação pós-programa de assistência, em que os técnicos do Fundo Monetário Internacional (FMI) apontam para um crescimento de 1,3% para 2016 e 2017 da economia portuguesa, acima do inicialmente previsto. Para o primeiro-ministro é um bom sinal, depois das reticências e ceticismo do FMI, que o Fundo se tenha mostrado "agradavelmente surpreendido pelas previsões que tínhamos feito se estarem a aproximar da concretização".

Sobre a necessidade de mais medidas de austeridade, António Costa ressalvou que o trabalho, do FMI, sobre o Orçamento do Estado para 2017 foi feito com base em "dados que são antigos".

Os nossos dados demonstram que vamos cumprir, como sempre dissemos, confortavelmente, a margem dos 2,5% [do défice sobre o PIB] que está acordada com a União Europeia", assegurou o chefe de Governo na reação ao comunicado do FMI. 

É que no documento divulgado ontem, a equipa de missão, liderada por Subir Lall, antevê ainda que Portugal termine o ano com um défice orçamental de 2,6% do Produto Interno Bruto, uma previsão que fica acima dos 2,5% exigidos pela Comissão Europeia e dos 2,4% inscritos no Orçamento do Estado para 2017.

Sobre o tema recorrente da renegociação da dívida portuguesa, o Presidente da República considerou "prematuro e extemporâneo" fazer uma discussão, face ao período de eleições que vai ter lugar, no próximo ano, em vários países da União Europeia.

Estar a especular sobre cenários europeus num ano em que vai haver eleições em várias das economias fundadoras da União Europeia, até, praticamente, daqui a um ano (...) estar a especular sobre o que será a Europa nessa altura, e estar a fazer um debate sobre matéria da dívida, é completamente prematuro e extemporâneo. Não faz sentido", disse Marcelo Rebelo de Sousa.

"Só se quisermos um daqueles debates a que eu estava habituado na universidade, em que debatemos, teoricamente, tudo. E é muito útil. Mas debater [a renegociação da dívida], em termos concretos, com relevância política, não faz sentido nenhum", acrescentou.

É uma boa notícia que a execução orçamental aponte para os 2,5% este ano, é uma boa notícia a aprovação de um orçamento que aponta para uma redução do défice no ano que vem. Agora, a Europa mudará daqui a um ano, daqui a dois, daqui a dez? Que Europa será? E no quadro dessa Europa o que é que acontecerá? Vale a pena estarmos fazer disso uma questão de debate hoje? Eu, realisticamente, penso que não", concluiu o Presidente.

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Alda Martins / (Atualizada às 17:16)