O momento é de pandemia de Covid-19, França cumpre a segunda semana de quarentena, mas a agricultura do país não pára e, numa altura em que se aproximam as primeiras colheitas, o governo fez um apelo aos franceses.

Quero lançar um grande apelo às mulheres e homens que hoje em dia não trabalham, aquelas e aqueles que estão isolados nas suas casas: empregados de mesa, rececionistas de hotel, cabeleireiros (...). A todos eles digo: juntem-se ao grande exército da agricultura francesa!", afirmou o ministro da agricultura francês, Didier Guillaume.

A tutela estima que há, pelo menos, 200.000 postos de trabalho temporário, que o fecho das fronteiras não permite colmatar, com a habitual contratação de trabalhadores estrangeiros.

Segundo o ministro da Economia, Bruno Le Maire, há 730.000 franceses em casa, sem trabalho.

Face à aproximação das primeiras colheitas, a tutela e os sindicatos agrícolas uniram-se para facilitar as contratações, que, recorde-se, servem apenas para colmatar o trabalho sazonal.

"Se amanhã não tivermos pessoal, não temos como colher. Vai ser muito problemático para as nossas explorações nos próximos meses", advertiu um produtor de espargos, em entrevista televisiva.

De acordo com Christiane Lambert, líder da Federação Nacional dos Sindicatos dos Exploradores Agrícolas (FNSEA, na sigla original), "faltam mãos", pois só em março deveriam ter entrado no país 45.000 trabalhadores temporários oriundos da Polónia, Roménia e Marrocos. Em abril serão precisos mais 75.000 e em maio outros tantos, precisou a responsável sindical.

Mas não é só na agricultura que falta mão-de-obra. Também a indústria agroalimentar precisa de trabalhadores, nomeadamente para os matadouros e queijarias, advertiu a FNSEA.

A organização sindical lançou, por isso, uma plataforma online de recrutamento, a "Braços para o teu prato", onde estão todas as ofertas disponíveis.

Ofertas essas que garantem "perfeitas condições de segurança", assegurou a FNSEA, tendo em conta o receio de contaminação pelo novo coronavírus, que já fez perto de 1.700 mortos em França.

Segundo o Ministério da Agricultura há já 40.000 candidatos.

       
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