Francisco Louçã escreveu uma carta ao Governo com três argumentos para que o Novo Banco não venha a ser vendido nas atuais condições. Esta tentativa de convencer o Executivo a não deixar as instituições nas mãos de fundos norte-americanos como a Lone Star ou a Apollo surge precisamente no dia em que o Banco de Portugal deverá comunicar qual a sua posição sobre os candidatos à compra. Para o economista, conselheiro de Estado e fundador do Bloco de Esquerda o caminho a seguir deve ser outro.

[O Novo Banco] deve ser mantido como entidade separada e não incluída na CGD, mas deve integrar a banca pública para uma recapitalização ponderada ao longo do tempo e para uma gestão do crédito que estimule a economia", lê-se no artigo de opinião que publicou na edição do Público desta quarta-feira.

Diz que "a solução é má, por três razões". A primeira é que os potenciais compradores "são flibusteiros, ou aventureiros provados no mar alto da finança mundial": lembra que o Lone Star nasceu na crise dos anos 1990 e que o seu negócio "é a dívida e a destruição de empresas ou a sua venda a curto prazo"; já o fundo Apollo, como o Centerbridge, "gerem em conjunto o triplo dos valores, mas seguem o mesmo caminho: juntar fundos de pensões ou outros investidores para comprar dívida e conseguirem rentabilidades de curto prazo". 

A segunda razão que para Louçã espelha o "perigo" destes fundos é a sua forma de atuação, por quererem garantias de Estado que cubram eventuais desvalorizações. "Em resumo, ameaçarão o banco, atacarão os clientes, arriscarão os depositantes".

A terceira é o custo para o défice: "O imediato, a contabilidade das contra-garantias, e o mediato, a perda fiscal ao longo dos anos. Se lhe dissessem que o Novo Banco foi vendido nestas condições, poderia ter a certeza de que a sua carteira fora arrombada, mas creio que o Governo não alinhará nesta aventura".

Pelo meio, uma série de críticas a Sérgio Monteiro (que foi secretário de Estado no anterior Governo), que conduz o processo. Diz também que se bem conhece quem está à frente da governação atual, "esta chantagem não tem condições para triunfar e impor a entrega do Novo Banco como se não houvesse alternativas consistentes. Até hoje as propostas de Monteiro para o banco têm sido todas perigosas e estas não o são menos".

A solução Monteiro, como lhe chama, "tem de ser evitada, tanto mais que há alternativas a este caríssimo ultimato quarta-feirista". Ora, é precisamente hoje que o Banco Portugal deverá tomar posição sobre o assunto. Dia em que o ministro das Finanças deu uma entrevista ao DN e à TSF recusando dar garantias estatais a privados se o banco for vendido e admitindo que a nacionalização é uma hipótese.