O Novo Banco vai pedir 1.150 milhões de euros - um recorde absoluto - ao Fundo de Resolução, detido pelo Estado, depois de ter apresentado, esta sexta-feira, prejuízos de 1.412,6 milhões de euros relativos ao conjunto de 2018. A instituição reviu ainda os resultados de 2017, subindo os prejuízos para 2.298 milhões de euros nesse ano.

No ano passado, o Novo Banco tinha apresentado resultados negativos de 1.395 milhões de euros em 2017, mas hoje indicou que alterou então esse valor para 2.298 milhões de euros.

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Segundo o banco, os valores são “reexpressos de forma a refletir em outras reservas e resultados transitados a ativação do Mecanismo de Capital Contingente e a alteração do registo inicial de passivos relacionados com a operação de LME [recompra de obrigações] concretizada no último trimestre de 2017”.

O Fundo de Resolução indicou, entretanto, em comunicado, que vai recorrer ao empréstimo acordado com o Estado, com o limite anual de 850 milhões de euros, para pagar ao Novo Banco, mas primeiro é preciso uma certificação legal das contas.

O pagamento devido em 2019 pelo Fundo de Resolução será realizado após a certificação legal de contas do Novo Banco e após um procedimento de verificação, a realizar por entidade independente, que visa confirmar se o montante a pagar pelo Fundo foi corretamente apurado”.

Recorde-se que o Novo Banco já tinha recebido uma injeção de capital de 792 milhões de euros, pelo que a concretizar-se o valor pedido hoje conhecido, as injeções do Fundo de Resolução ficarão em mais de 1.900 milhões de euros. Ainda poderá pedir mais quase 2.000 milhões de euros, uma vez que a recapitalização do Fundo de Resolução pode chegar aos 3,89 mil milhões de euros.

A agravar a situação, o Estado teve de emprestar dinheiro ao Fundo de Resolução, no ano passado. Foram mais de 400 milhões de euros, precisamente para que este pudesse recapitalizar o Novo Banco.

O Fundo de Resolução ainda detém 25% do Novo Banco, detendo o fundo de investimento norte-americano Lone Star os restantes 75%.

Saíram quase 400 trabalhadores e fecharam 71 balcões

O Novo Banco fechou o ano de 2018 com menos 392 trabalhadores e 71 balcões em 2018, face ao final de 2017.

No final de 2018 tinha 5.096 trabalhadores, menos 392 que os 5.488 registados no em 2017.

Em Portugal, o banco terminou 2018 com 4.804 trabalhadores, menos 352 que os 5.156 registados um ano antes.

Relativamente a balcões, na sua atividade total, o banco liderado por António Ramalho fechou o ano de 2018 com 402 balcões, menos 71 que no ano anterior.

Na sua apresentação inicial, o presidente executivo afirmou que a instituição "está a dois balcões do acordado" com as instituições europeias, que pretendem que tenha no máximo 400 balcões no final de 2019.

Na sua atividade em Portugal, o Novo Banco terminou 2018 com 381 balcões, uma descida de 67 face aos 448 no final de 2017.

PSD chama Centeno ao Parlamento

O PSD vai chamar o ministro das Finanças ao parlamento, no âmbito da eventual injeção de mais de 1.100 milhões de euros no Novo Banco por parte do Fundo de Resolução, reagiu, entretanto, o deputado Duarte Pacheco.

Dinheiros públicos estão a ser mobilizados para o Novo Banco. E face a esta informação, só há uma ação: chamar o ministro das Finanças ao parlamento, à comissão de Orçamento, para dar explicações com caráter de urgência", disse Duarte Pacheco em declarações aos jornalistas à margem das jornadas parlamentares do PSD, que decorreram no Porto.

O deputado social-democrata recordou que "o Estado ficou com 25% [do Novo Banco], mas quem vai injetar mais 1.100 milhões de euros é novamente o Estado", algo que considera "incompreensível" e que "não pode passar sem uma explicação cabal".

O Fundo de Resolução terá de injetar cerca de 1.150 milhões de euros no Novo Banco, de acordo com uma notícia avançada esta sexta-feira pelo Jornal Económico

Duarte Pacheco argumenta que foi afirmado pelo ministro das Finanças, Mário Centeno, aquando da alienação do Novo Banco ao fundo Lone Star, que "houve uma garantia de que não entravam dinheiros públicos e que aquilo que estava previsto no contrato era um pró-forma".

Acho que, porventura, o senhor ministro das Finanças poderia estar convencido, mas significa que não tinha a consciência da realidade e, por isso mesmo, causou e está a causar um problema ao país, de credibilidade, e às contas públicas", prosseguiu.

Duarte Pacheco disse ainda que "não pode haver notícias de que não existe dinheiro público para responder a reivindicações de determinados setores profissionais, mas simultaneamente o Estado disponibilizar mais 1.100 milhões de euros para o Novo Banco por responsabilidade exclusiva do governo socialista que procedeu à alienação do mesmo".

Na quinta-feira, questionado sobre a possibilidade de uma injeção de mil milhões de euros no Novo Banco, através do Fundo de Resolução, poder pôr em causa a meta do défice de 0,2%, Mário Centeno referiu que o executivo “vai seguir todos os desenvolvimentos da área com atenção”, notando que “as conquistas muito significativas para todos os portugueses” que foram alcançadas não podem ser colocadas em risco.

O Fundo de Resolução é uma entidade da esfera pública gerida pelo Banco de Portugal, comparticipada pelos outros bancos, e detém 25% do Novo Banco.