O nível “sem precedentes” de apoios públicos com influência no sistema financeiro pode ter “consequências inesperadas”, alertou hoje o Fundo Monetário Internacional (FMI) no Relatório de Estabilidade Financeira Global.

De acordo com o documento, há dois temas a emergir e que passam pelo impacto destes apoios e pela velocidade assíncrona da recuperação dos países.

Em primeiro lugar, o nível sem precedentes de apoios pode ter consequências inesperadas”, alerta o FMI, apontando para uma tendência de “correr maiores riscos nos mercados" e para "maiores vulnerabilidades financeiras que se podem tornar problemas estruturais”, caso não sejam resolvidas. 

O Fundo alerta para o comportamento dos mercados, sugerindo que estão a negociar em níveis superiores aos previstos pelos modelos.

O FMI avisa ainda que as estimativas apontam para uma recuperação mundial “assíncrona” e “divergente” entre as economias.

“Há o risco de que as condições financeiras nas economias emergentes possam complicar-se", sobretudo se os decisores "das economias avançadas começarem a trabalhar numa normalização” das políticas e apoios públicos, refere. 

Segundo a instituição, os países com bases mais fracas ou acesso limitado a vacinas para a covid-19 “são vulneráveis”, realçando que, nos mercados emergentes, os bancos domésticos “absorveram a maioria do crescimento da dívida interna”.

O documento do FMI destaca que a China recuperou mais rapidamente do que os outros países, mas alerta que este resultado foi conseguido através "do aumento de vulnerabilidades”, em particular de “dívida corporativa arriscada”.

O setor corporativo global for gravemente atingido pela pandemia”, garante o FMI, referindo que as empresas maiores, com acesso ao mercado, conseguiram “condições favoráveis” para emitir dívida e lidar com pressões de liquidez.

No entanto, avisa a organização, o aumento do endividamento gerado pelas condições financeiras vantajosas “é um dilema para os decisores” porque o impulso à atividade económica a curto prazo deve ter em conta “o aumento das vulnerabilidades” e os riscos ao longo do tempo.

/ RL