O Governo e o Metro do Porto lançaram esta terça-feira, no Porto, o concurso para a nova ponte sobre o Douro, projeto que permitirá concretizar a chamada "segunda linha" de metro de Vila Nova de Gaia.

Em causa está o lançamento do concurso público internacional de conceção da nova ponte, exclusiva para o metro, e a abertura de um concurso de ideias para o projeto, cujo júri é composto por 11 elementos.

A nova travessia para ligar o Porto e Gaia através de metro deve ficar entre as pontes da Arrábida e Luís I e servirá uma nova linha de Vila Nova de Gaia, entre a Casa da Música e Santo Ovídeo.

No evento são também consignadas as empreitadas das linhas Rosa e prolongamento da Amarela do Metro do Porto.

Estas duas novas linhas são investimentos de futuro, mas que vão contribuir desde já para a recuperação da economia e para a criação do emprego que o covid-19 destruiu", disse o primeiro-ministro na cerimónia do lançamento do concurso.

 

É muito dinheiro, mas não é para o estado gastar consigo próprio, é para gastar com os portugueses e com as portuguesas. É para o Estado gastar com o país", adiantou. É altura de olhar para o futuro".

 

Por um futuro 'mais limpo'

Na cerimónia, o primeiro-ministro alertou ainda que, além da epidemia da covid-19, existe uma “enorme pandemia à escala global”, as alterações climáticas, que só se “vence ou perde” nas cidades.

Depois da pandemia passada, há uma enorme pandemia à escala global, que é a das alterações climáticas, que continua a ter de ser combatida. Essa pandemia só se vence ou perde nas cidades porque é nas cidades que se concentram 75% das emissões de gases com efeitos de estufa”, realçou.

No que se refere à Linha Amarela, em causa está o prolongamento de Santo Ovídeo a Vila D’Este, em Gaia, enquanto a Linha Rosa constitui um novo trajeto no Porto entre a zona de S. Bento/Praça da Liberdade e a Casa da Música.

Este projeto resulta "de um grande compromisso e de grande entendimento e terá um impacto extraordinário na área metropolitana em várias áreas, como a sustentabilidade e ambiente. O transporte individual não pode continuar a ser o paradigma das nossas cidades", disse na mesma cerimónia o presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira.  A obra pretende tirar 17 mil carros das ruas do Porto.

Fonte oficial da Metro do Porto revelou à agência Lusa no início de março que o Tribunal de Contas (TdC) deu luz verde às empreitadas de construção da Linha Rosa e de prolongamento da Linha Amarela até Vila d’ Este.

O visto do TdC foi dado aos contratos assinados, em novembro, entre a Metro do Porto e o consórcio Ferrovial/ACA, por um valor global de 288 milhões de euros.

Deste valor, 189 milhões destinam-se à Linha Rosa, no Porto, e 98,9 milhões ao prolongamento da Amarela, entre Santo Ovídeo e Vila D’ Este.

Investimento superior a 400 milhões de euros

O investimento global nos dois projetos ronda os 407 milhões de euros – incluindo expropriações, projetos, fiscalização, equipamento e sistemas de apoio à exploração”, disse à Lusa a metro do Porto a 3 de março.

A nova Linha Rosa (Circular) integrará quatro estações e cerca de três quilómetros de via.

Esta ligação, entre a zona de S. Bento/Praça da Liberdade e a Casa da Música, passa pelo Hospital de Santo António, Pavilhão Rosa Mota, Centro Materno-Infantil, Praça de Galiza e polo universitário do Campo Alegre.

O prolongamento da Linha Amarela entre Santo Ovídeo e a zona residencial de Vila d’ Este vai permitir construir um troço com três estações e cerca de três quilómetros, passando pelo Centro de Produção da RTP e pelo Hospital Santos Silva.

Atualmente, a rede tem 67 quilómetros, com seis linhas que servem sete concelhos e 82 estações, movimentando anualmente mais de 71 milhões de clientes (valor reportado a 2019, o último exercício antes da pandemia).

Lara Ferin .