Dirigentes do Chega mostraram-se esta quarta-feira “perfeitamente de acordo” com o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e as mais recentes alterações, com atenção à Cultura e Economia do Mar, após reunião com o Governo, no parlamento.

Contudo, os vice-presidentes do partido populista Diogo Pacheco de Amorim e Nuno Afonso avisaram contra eventuais canalizações de fundos para setores não previstos no plano e desejaram maior transparência na monitorização das verbas e mais investimento no interior do país.

As duas alterações suscitadas pela discussão pública, com dotações significativas para Cultura e Economia do Mar, que são duas áreas relevantes, parecem-nos adequadas, em termos de distribuição de verbas. Só podemos ficar satisfeito e estamos perfeitamente de acordo. Só esperamos que as verbas sejam, de facto, aplicadas onde foi referido que vão ser aplicadas e não sofram desvios para outros fins”, disse à Lusa o primeiro “vice” da direção nacional de André Ventura.

O ministro do Planeamento, Nelson de Souza, o secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Duarte Cordeiro, e o secretário de Estado do Planeamento, Ricardo Pinheiro, estão a reunir-se desde terça-feira com os partidos com representação parlamentar e as deputadas não inscritas sobre o PRR e "as alterações decorrentes do processo de consulta pública".

Fala-se muito de áreas metropolitanas. Há ainda muita centralização em Portugal, que não é só Lisboa e Porto. Devia ser previsto muito mais investimento nas cidades do interior, com potencial enorme”, criticou o segundo “vice” do elenco diretivo escolhido pelo líder da extrema-direita parlamentar, Nuno Afonso, também chefe de gabinete do deputado único.

Terça-feira, a líder da bancada do PS, Ana Catarina Mendes, anunciou que os deputados socialistas vão apresentar ainda esta semana uma proposta para criar um “mecanismo de controlo parlamentar” que fiscalize e acompanhe a execução do PRR. Para evitar duplicações, o PS deseja alargar o âmbito da já existente comissão eventual para o acompanhamento da covid-19.

O PS fez uma proposta para que fosse feito um mecanismo de controlo. Parece-nos muito bem, mas a transparência não se faz em comissões, nas caves na Assembleia da República. Os resultados devem ser apresentados em plenário e debatidos e votados para que os portugueses percebam em que é que o seu dinheiro é investido”, defendeu Nuno Afonso.

O PRR, para aceder às verbas comunitárias de recuperação da crise provocada pela pandemia de covid-19, prevê 36 reformas e 77 investimentos nas áreas sociais, clima e digitalização, num total de 13,9 mil milhões de euros em subvenções.

O executivo socilista tem justificado que, "com base no diagnóstico de necessidades e dos desafios", foram definidas três "dimensões estruturantes" de aposta: a da resiliência, da transição climática e da transição digital.

O documento prevê ainda 2,7 mil milhões de euros em empréstimos, mas fonte o Governo declarou que "ainda não está assegurado" o recurso a esta vertente do Mecanismo de Recuperação e Resiliência, o principal instrumento do novo Fundo de Recuperação da União Europeia.

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