Doze bancos que fazem parte do Instituto Internacional de Finanças (IIF), que representa o setor privado nas negociações de reestruturação da dívida da Grécia, anunciaram esta tarde que aceitam perdoar parte da dívida do país.

Segundo a Bloomberg, até agora só 20% dos credores privados aderiram ao plano de troca de obrigações da Grécia. Os 12 bancos representam pelo menos 40 mil milhões de euros de dívida grega, uma pequena parte face aos 206 mil milhões que estão nas mãos dos credores privados.

Entre as instituições que aceitaram participar no programa, aceitando assim perder 70 por cento na dívida soberana grega que têm em carteira, estão o banco francês BNP Paribas, o alemão Deutsche Bank e o holandês ING Bank.

Quinta-feira é o limite para as instituições privadas ¿ bancos, seguradoras e fundos ¿ dizerem se aceitam ou não participar no programa de troca de títulos de dívida grega por outros novos, com condições de penalização mais leves e com maturidades mais longas.

Em comunicado que o IIF distribuiu em Washington, a organização que representa os maiores bancos mundiais refere que «cada instituição deve tomar as suas próprias decisões» quanto à participação no programa da Grécia.

No domingo passado, Charles Dallara, diretor do IIF, disse estar «bastante otimista» quanto ao envolvimento do setor privado na reestruturação da dívida soberana grega e previu «níveis de participação bastante altos».

A operação de troca de títulos de dívida prevê a retirada de cerca de 100 mil milhões de euros do total da dívida do país, que é de 460 mil milhões de euros, reduzindo a dívida dos 160 por cento do produto interno bruto (PIB) previstos para 2020, para 120 por cento.

O sucesso em convencer os privados a participar nesta operação era uma das condições essenciais para que a União Europeia aprovasse um segundo pacote de resgate ao país, no valor de 130 mil milhões de euros, para salvar a Grécia da bancarrota.

O IIF considera que, entre os aspetos positivos do acordo entre a Grécia e os privados, estão o fato do Estado grego emitir ao abrigo do direito britânico os novos títulos de dívida grega.

Um outro mecanismo que merece o aplauso do IIF é a possibilidade dos credores privados que aceitem reestruturar a dívida grega poderem vir a ganhar mais do que preveem, uma vez que Atenas se comprometeu a pagar uma compensação adicional se a economia da Grécia crescer acima do estimado.