O Fundo Monetário Internacional vai reduzir a sua percentagem de apoio no segundo empréstimo à Grécia, passando de uma participação de 27% no primeiro pacote de ajuda, para cerca de 14%.

A contribuição de 18 mil milhões de euros para o bolo total de 130 mil milhões, acordada depois do acordo na semana passada entre o Governo grego e a maioria dos detentores privados de dívida soberana helénica, representa um esforço adicional face aos 30 mil milhões relativos ao primeiro pacote de assistência financeira, que somava, no total, 110 mil milhões de euros.

Para o analista da Brookings Institution, em Washington, Eswar Prasad, esta redução representa o compromisso possível «entre ficar envolvido no pacote de ajuda à Grécia e limitar os riscos para os próprios capitais» do FMI. Ao aumentar a «exposição global à Grécia, o Fundo Monetário Internacional corre riscos financeiros, mas também políticos», considerou o analista, em declarações à Bloomberg.

A redução da ajuda do outro lado do Atlântico deixa à Europa a tarefa de emprestar 112 mil milhões de euros, que virão do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira, que vende dívida conjunta de vários países para financiar a ajuda aos que necessitam (Irlanda, Grécia e Portugal).

A direção do Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou na sexta-feira que vai propor aos Estados-membros que a instituição acorde um novo empréstimo, de 28.000 milhões de euros, à Grécia, dos quais 10 ainda sobram do empréstimo inicial.

«Consultei hoje [sexta-feira] o conselho de administração do FMI e, assim que negoceie com o governo grego, pretendo recomendar o acordo de 28.000 milhões de euros», afirmou a diretora-geral, Christine Lagarde, em comunicado.

O Fundo pretende substituir o empréstimo acordado em maio de 2010, de 30.000 milhões de euros, dos quais cerca de 10.000 milhões estão ainda por desembolsar. A quantia que falta atribuir será integrada no novo empréstimo.

O novo empréstimo deverá ser uma linha de crédito, um tipo de empréstimo destinado aos países em dificuldades por um período de tempo prolongado.

Christine Lagarde vai propor que este instrumento seja pago em quatro anos e reembolsado durante um máximo de dez anos.

O empréstimo de maio de 2010 estende-se até 2013 e o prazo de reembolso termina em 2015.

«A amplitude e a duração do apoio do Fundo demonstra a nossa determinação em continuar empenhados», afirmou a responsável.