O Governo grego anunciou esta sexta-feira o arranque formal do programa de troca de dívida pública do país. Para que o plano resulte, é preciso que a taxa de aceitação por parte dos credores privados atinja, pelo menos, 66,1%. Se esse limiar não for alcançado, o programa fica sem efeito.



É que a lei de troca de dívida introduz as chamadas «cláusulas de ação coletiva», que estipulam que, só se 66,1% dos investidores concordarem com as condições da troca, é que as condições se aplicarão a todos os outros credores privados que detenham títulos de dívida pública grega. Se o limiar dos 66,1% não for alcançado, a cláusula não pode ser ativada.

«O envolvimento do setor privado vai começar hoje oficialmente», afirmou o primeiro-ministro, Lucas Papademos, após a reunião do Conselho de Ministros. Quer isto dizer que o executivo de Atenas vai estender aos credores privados que detêm títulos de dívida grega uma oferta formal de troca desses títulos, que se traduz na aceitação, por parte desses credores, de um perdão na ordem dos 53,5% do valor nominal da dívida que detêm. Em termos reais, a perda líquida para os credores ronda os 74%.

A Grécia não tem muito tempo para garantir o apoio dos credores privados, uma vez que, se até 10 de março, a questão não estiver decidida, o país não conseguirá pagar os 14,5 mil milhões de euros de dívida pública que vencem dia 20 e volta a enfrentar o risco de incumprimento.

Recorde-se que o envolvimento do setor privado (PSI na sigla do inglês) foi uma das condições exigidas pelo Eurogrupo para aprovar o segundo pacote de resgate à Grécia, no valor de 130 mil milhões de euros.