A Autoeuropa foi a escolhida para o apito inicial à greve geral. Os líderes da CGTP-IN e da UGT juntaram-se em Palmela e estão confiantes no êxito da paralisação e acreditam que vai contribuir para mudar o rumo da política nacional.

«Estamos aqui na principal unidade privada industrial do país, não haverá produção e essa é também a situação geral no parque industrial da Autoeuropa», disse Carvalho da Silva, citado pela Lusa.

Apesar de aumentos de 3,9% acordados para os próximos dois anos, os trabalhadores da Autoeuropa estão solidários com a restante população que aderiu à greve, além de estarem contra as medidas de austeridade que vão ter implicações nos seus próprios bolsos.

Entretanto, Carvalho da Silva destacou ainda a paralisação dos trabalhadores do sector portuário que, segundo disse, levou ao encerramento de todos os portos nacionais, bem como a grande adesão à greve no sector ferroviário, na Soflusa (barcos do Barreiro) e em muitas câmaras municipais e na área da saúde.

Para o líder da CGTP, esta greve geral representa um contributo decisivo para relançar a discussão sobre o salário mínimo nacional e para a reposição de alguns direitos a camadas de trabalhadores e população «que foram colocados em situação de pobreza e de miséria» e ainda para lançar «uma dinâmica de desenvolvimento produtivo».

UGT: «Não podem ser só trabalhadores a pagar a factura»

Já o líder da UGT justificou a greve geral com a necessidade de políticas diferentes que correspondam às necessidades de emprego no país.

«Neste momento, há uma política errada que pede demasiados sacrifícios aos trabalhadores deixando de fora muitos que poderiam pagar muito mais. Hoje temos necessidade de combater o défice - é indispensável - sob pena de termos aí o FMI», afirmou João Proença.

«Não podem ser só os trabalhadores a pagar a factura e, por outro lado, estas políticas de combate ao défice afundam o país e não vamos a lado nenhum».

Confrontado com os incidentes ocorridos de madrugada na estação de correios de Cabo Ruivo, o líder da CGTP disse que se trata de uma situação que se tem vindo a repetir quando há lutas laborais e adiantou, sem especificar, que «houve outros incidentes noutras zonas do país».
Redação / VC