A associação patronal das empresas de combustíveis ANTRAM considera inaceitável a ameaça dos motoristas de deixarem de cumprir os serviços mínimos determinados para a greve que teve hoje início e pediu ao Governo para tomar medidas.

Esperamos que o Governo aja porque é inaceitável que alguém, menos de uma hora depois de terem iniciado os serviços mínimos, já os esteja [a ameaçar] incumprir”, afirmou à Lusa o porta-voz da Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM), André Matias.

O também advogado da associação referia-se a declarações feitas pelo porta-voz do Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas, em Aveiras de Cima, Azambuja, Lisboa, onde está concentrado um piquete de greve na sede da CLC - Companhia Logística de Combustíveis.

Vamos deixar de cumprir os serviços mínimos”, disse aos jornalistas o representante do sindicato nacional de motoristas Pardal Henriques, acusando as empresas de não respeitarem o direito à greve e estarem a subornar motoristas para furar a paralisação.

Apelamos à calma, apelamos a que cumpram os serviços mínimos, lamentamos profundamente, mais uma vez, estas acusações que vem desacompanhadas de qualquer documento”, referiu André Matias, pedindo ao Governo “para agir”.

O porta-voz da ANTRAM lamentou ainda a postura do sindicato, apontando Pardal Henriques como alguém que “gosta de conflito constante, de crispação constante” e que, por isso, “torna impossível o diálogo”.

A ANTRAM gostava de, por uma vez, não ter razão. Dissemos que não iam cumprir os serviços mínimos e é aquilo que se preparam para fazer”, disse, rejeitando as acusações de incumprimento durante a noite e alegando que isso era impossível “uma vez que os serviços mínimos só começaram às 08:00”.

Em declarações feitas aos jornalistas, Pardal Henriques afirmou que há trabalhadores a serem subornados para fazerem serviço em dia de greve.

“Os trabalhadores estão a ser subornados. Há polícia e exército a escoltar os camiões. Não foi o sindicato que quebrou os serviços mínimos, mas sim as empresas e o Governo que violaram o direito à greve", disse.

O primeiro-ministro, António Costa, está, desde as 09:30, na Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, em Carnaxide, Oeiras, para assistir ao 'briefing' operacional para avaliar o desenrolar dos acontecimentos.

A greve foi convocada pelo Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) e pelo Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias (SIMM), tendo-se também associado à paralisação o Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos do Norte (STRUN).

O Governo decretou serviços mínimos entre 50% e 100% e declarou crise energética, que implica “medidas excecionais” para minimizar os efeitos da paralisação e garantir o abastecimento de serviços essenciais como forças de segurança e emergência médica.