A GNR acompanhou oito camiões cisterna ao longo do percurso entre o parque de combustíveis da Companhia Logística de Combustíveis (CLC), em Aveiras de Cima, concelho de Azambuja, e o aeroporto de Lisboa.

Segundo fonte da corporação, os camiões-cisterna começaram a abastecer antes das 18:00 e o percurso até à capital será acompanhado por elementos da Unidade de Intervenção e do Destacamento de Trânsito da GNR.

Faltavam poucos minutos para as 20:00 quando os camiões saíram por uma porta lateral da empresa em direção ao aeroporto de Lisboa, escoltados pela GNR. Os camiões seguem em coluna, intervalados com veículos de intervenção da GNR.

A saída foi assinalada por um grupo de cerca de uma dezena de manifestantes, que se concentraram na Estrada Nacional 366 e que gritaram palavras de ordem aos motoristas. “Ladrões” e “traidores” foram algumas das palavras gritadas quando os camiões começaram a sair.

A Estrada Nacional 366, que esteve cortada ao trânsito para permitir esta operação, reabriu pelas 19:34.

A maioria dos manifestantes está concentrada num perímetro de segurança, afastados da zona de onde saíram os camiões cisterna.

Também em Leça da Palmeira, no Porto, ao final da tarde saíram camiões com combustíveis escoltados pela GNR. A TVI acompanhou o momento da saída das viaturas.

Perante a greve dos motoristas de matérias perigosas, o Ministério da Saúde está a contatar os hospitais para determinar por quanto tempo podem ainda funcionar sem abastecimento de combustíveis. A TVI apurou ainda que a Repsol, uma das principais petrolíferas a operar no país, deu indicações específicas a um revendedor da Batalha para manter uma reserva de três mil litros, combustível servirá para eventual abastecimento de veículos de emergência e das forças de segurança.

O ministro da Economia, Siza Vieira, apelou aos motoristas de mercadorias perigosas que estão em greve para que cumpram os serviços mínimos decretados hoje no âmbito da requisição civil.

O ministro da Economia afirmou ter "razões para acreditar" que as empresas de transporte e o Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) irão conseguir "chegar a um entendimento", apelando para que o diálogo seja retomado entre as duas partes.

A greve nacional dos motoristas de matérias perigosas, que começou às 00:00 de segunda-feira, foi convocada pelo Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), por tempo indeterminado, para reivindicar o reconhecimento da categoria profissional específica.

Após a requisição civil, os militares da GNR mantiveram-se de prevenção em vários pontos do país para que os camiões com combustível pudessem abastecer e sair dos parques sem afetarem a circulação rodoviária.

Em Aveiras de Cima, avançou a mesma fonte, quando os camionistas de substâncias perigosas começaram a ocupar a estrada foi necessário um reforço dos elementos da Unidade de Intervenção que já estavam de prevenção no local.

Marcelo acompanha esforço para "normalizar situação" 

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou estar a acompanhar o esforço do Governo para "normalizar a situação".

Tenho acompanhado o esforço que está a ser feito para normalizar essa situação, independentemente depois do problema laboral, que é um problema entre privados e também do exercício do direito constitucional à greve, que espero que venha a ter um diálogo que permita também uma evolução", disse o chefe de Estado, em declarações aos jornalistas após uma viagem de elétrico em Lisboa com a sua homóloga da Estónia, que se encontra em visita de Estado a Portugal.

Marcelo Rebelo de Sousa disse acompanhar a "preocupação do Governo" e as tentativas de "estabilizar a situação", recordando a tradição seguida por muitas famílias, que aproveitam o período da Páscoa para se deslocarem às suas terras para passar uma parte desta semana com os familiares.

O Presidente da República lembrou que muitas dessas famílias programaram a sua vida para partir na quarta ou na quinta-feira, de modo a passarem o período da Páscoa com as famílias.

Aeroporto do Porto sem problemas por ser abastecido por 'pipeline'

O Aeroporto do Porto não está a sentir os efeitos da greve nacional dos motoristas de matérias perigosas, dado ser abastecido por 'pipeline' diretamente da Refinaria de Leça da Palmeira, em Matosinhos, confirmou hoje à Lusa fonte da Petrogal.

O aeroporto é abastecido por via direta, por canais próprios da refinaria, e não por via terrestre”, vincou.

Ao contrário do Porto, o Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, ficou sem abastecimento de combustível às 12:00, tendo cerca das 19:30 oito camiões cisterna que abasteceram na Companhia Logística de Combustíveis (CLC), em Aveiras de Cima, concelho de Azambuja, saído em direção ao aeroporto, escoltados pela GNR.

Já o Aeroporto de Faro atingiu as reservas de emergência, estando o fornecimento de combustível suspenso pelas empresas petrolíferas desde segunda-feira à noite.

A agência Lusa tentou contactar a ANA – Aeroportos de Lisboa para perceber se algumas companhias aéreas estão a aproveitar as escalas no Aeroporto Francisco Sá Carneiro, na Maia, distrito do Porto, para abastecer, mas sem sucesso.