Mais de meia centena de trabalhadores da CP e da Infraestruturas de Portugal, que esta quinta-feira fazem uma greve de 24 horas, concentraram-se junto ao Ministério dos Transportes e Infraestruturas para exigirem aumentos de salário e melhores condições de vida.

Há anos sem aumentos e sem negociação propriamente dita, os trabalhadores estão hoje a exigir, em greve e aqui concentrados, aumentos verdadeiros dos salários para todos”, disse a secretária-geral da CGTP, Isabel Camarinha, presente na concentração.

A líder sindical considerou também que o que “tem vindo das propostas das empresas é insignificante” e advertiu que “10 euros ou muito menos”, já que “chega a ser um euro de aumento” para alguns trabalhadores, “é absurdo” e que uma proposta destas “não pode ser aceite”.

E prosseguiu: “Temos vindo a exigir do Governo é que esta chamada ‘bazuca’ que aí virá, não sabemos bem quando, e se é uma ‘bazuca ou vitamina’, que se reflita naquilo que são os salários e as condições de trabalho e vida dos trabalhadores do país, porque já estamos a ver que vai ser direcionada para aumentar a distribuição pelos acionistas das grandes empresas e não para aquilo que é necessário para o desenvolvimento de Portugal”.

Ricardo de Sousa, trabalhador da CP – Comboios de Portugal há 39 anos nas Oficinas do Barreiro, disse à Lusa que estava na concentração por causa das reivindicações que têm feito ao longo dos anos e que não têm sido atendidas já que não têm tido “aumento dos salários”, o regulamento de carreiras “não foi mexido” e alega que os trabalhadores têm perdido “poder de compra”.

Sinto-me muito injustiçado, o poder de compra não tem aumentado muito, os impostos têm aumentado muito, e mantemos o ordenado que tínhamos desde praticamente 2009”, lembrou, considerando que esta situação leva “demasiado tempo” e espera que a administração “dê alguma coisa porque isto assim não pode continuar”.

Quanto à situação da pandemia de covid-19, disse à Lusa que ela serve para justificar tudo, mas frisou que os administradores e os diretores “levam grandes aumentos” e no caso dos trabalhadores “não levam nada”. Logo a pandemia “é só para nós”, concluiu.

Já Ruben Gomes, que trabalha em Santa Apolónia, é eletricista e faz a manutenção dos comboios, disse à Lusa que os trabalhadores esperam “arduamente por negociações” e “nunca mais são ouvidos”.

Trabalhámos sempre durante a pandemia, não parámos e a empresa deveria ter, no geral, consideração pelos trabalhadores que fazem circular os comboios”, realçou.

Sobre a expectativa acerca do aumento de salários e revisão de carreiras disse que as “pessoas estão descontentes”, que a “expectativa é sempre positiva” e que vão “continuar a lutar”, apesar de se sentir “injustiçado” devido às responsabilidades que tem já que é “mal pago em relação a elas”.

Para José Lobato, que trabalha na CP e é mecânico e que faz manutenção de comboios afirmou à Lusa que tem sido “uma luta quase inglória” porque têm um paradigma de negociações diferente do que aquilo que havia “há uns anos atrás”.

Disse que o poder político se “está a substituir às administrações, ao passo que estas, há uns anos atrás negociavam diretamente com os sindicatos e as estruturas dos trabalhadores”.

Alegou que agora o poder político “está a mediar” as negociações, não só o ministério da área dos transportes, infraestruturas, planeamento e habitação, mas também o Ministério das Finanças.

Além disso, José Lobato realçou que os trabalhadores da CP tiveram durante “10 anos as carreiras congeladas e que o último aumento que tiveram foi de 10 euros e que a entrada de jovens para a carreira ronda o ordenado mínimo, além dos ordenados acima não terem uma separação muito grande, o que desmotiva”.

Um trabalhador sente-se bem não só pelas palavras, não é isso que põe o comer nas suas mesas é toda a outra parte, porque a parte da valorização salarial não tem havido, nem por aumentos de salários nem por um regulamento de carreiras mais ajustado à realidade dos nossos dias”, lamentou o trabalhador.

Durante a concentração os trabalhadores votaram uma moção que foi entregue no Ministério das Infraestruturas, em que os trabalhadores reivindicam que a tutela dinamize a negociação coletiva que leve ao aumento geral dos salários, através da negociação das propostas apresentadas pelos sindicatos, além de um aumento de 90 euros por trabalhador, propõem que o salário de base de entrada nestas empresas seja de 850 euros.

E entre outras, que de forma progressiva se caminhe para a redução do horário de trabalho para as “35 horas semanais/sete diárias” como máximo da jornada de trabalho para todos os trabalhadores.

A concentração de protesto teve o apoio da FECTRANS - Federação de Transportes e Comunicações e Federação Nacional dos Sindicatos em Funções Públicas e Sociais.

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