A Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (Antram) espera atingir um entendimento com o sindicato de motoristas quanto à definição de serviços mínimos no âmbito do pré-aviso de greve lançado pela estrutura sindical.

Na segunda-feira, na DGERT [Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho], faremos a nossa apresentação e aguardaremos pelo sindicato e esperamos chegar a um entendimento quanto aos serviços mínimos porque tornaria tudo muito mais fácil”, afirmou o porta-voz da Antram, André Matias de Almeida, que falava aos jornalistas em Lisboa.

No entanto, o responsável indicou que a associação ainda não tem uma proposta fechada, uma vez que está a dialogar com as empresas do setor para estudar essa possibilidade.

Os motoristas de matérias perigosas apresentaram um pré-aviso de greve para o período entre os dias 7 e 22 de setembro, mas desta vez só aos fins de semana e trabalho extraordinário, anunciou o sindicato na quarta-feira.

A ANTRAM e o Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) vão ter que apresentar, na segunda-feira, a sua proposta para a definição de serviços mínimos.

Apesar de o sindicato já ter defendido que não devem ser decretados serviços mínimos, este encontro trata-se de um passo formal, uma vez que só depois da apresentação das propostas, e caso não haja entendimento, é que o Governo pode interferir.

Quanto à abrangência do pré-aviso de greve, André Matias de Almeida notou que as oito horas de trabalho não contemplam pausas e horas de almoço, por isso, deverá entender-se como horas extraordinárias tudo o que ultrapasse as nove horas e meia diárias.

Está muito claro no contrato coletivo de trabalho o que é a amplitude do trabalho e dentro destas oito horas, nem estão contempladas as pausas nem a hora de almoço […] e eu acredito que é assim que o sindicato lê o contrato coletivo de trabalho”, defendeu.

O também advogado apelou a que haja “mais responsabilidade”, tendo em conta que este será “o quarto pré-aviso de greve em quatro meses e assistimos, nas últimas duas greves, a duas requisições civis”.

Este porta-voz referiu ainda que a Antram espera que os serviços mínimos sejam cumpridos, tendo em conta que a greve “é um direito constitucional” que deve ser exercido “na sua plenitude”, mas com respeito “pelos direitos constitucionais do povo português”.

Os motoristas de matérias perigosas apresentaram um pré-aviso de greve para o período entre os dias 7 e 22 de setembro, mas desta vez só aos fins de semana e trabalho extraordinário, anunciou o sindicato na quarta-feira.

A greve dos motoristas de matérias perigosas, que levou o Governo a adotar medidas excecionais para assegurar o abastecimento de combustível, terminou no domingo, ao fim de sete dias de protesto, depois de o SNMMP, que se mantinha isolado na paralisação desde quinta-feira à noite, a ter desconvocado.

O Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias desvinculou-se da greve ao quarto dia, na quinta-feira à noite, e vai regressar às negociações com o patronato em 12 de setembro.

“O que tem de mudar são as ideias e pressupostos” do sindicato

O porta-voz da Antram desvalorizou hoje a substituição de Pardal Henriques por São Bento como porta-voz do sindicato dos motoristas e defendeu que o que tem que ser alterado são “as ideias e pressupostos” da estrutura sindical.

Penso que o que tem de mudar são as ideias e os pressupostos. Este rosto do sindicato, que penso que não mudou porque já era o presidente do sindicato e exercia a sua função com toda a propriedade, deve compreender que, à semelhança do que aconteceu com a Fectrans [Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações] e com o SIMM [Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias], [se] encetasse um diálogo, baixasse as armas e tirasse a espada sob a cabeça da Antram e negociasse” seria mais fácil alcançar um consenso, afirmou André Matias de Almeida, porta-voz da Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (Antram), que falava aos jornalistas, em Lisboa.

O presidente do Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), Francisco São Bento, vai substituir Pardal Henriques como porta-voz e admitiu hoje poder retirar o pré-aviso de greve se houver consenso nas reuniões com a Antram.

O anúncio do novo porta-voz do SNMMP foi hoje feito em Aveiras de Cima (Lisboa) pelo próprio Francisco São Bento, na sequência do abandono do cargo por parte de Pedro Pardal Henriques para integrar as listas do PDR às eleições legislativas de 06 de outubro.

/ SL