O Sindicato dos Técnicos de Handling de Aeroportos não recebeu qualquer contacto para solucionar o problema que está na origem da greve e o seu presidente, André Teives, receia que nada mude a tempo de travar a nova paralisação.

“A nossa expectativa é sempre que as coisas se resolvam, mas não depende apenas e só de nós [trabalhadores]”, disse hoje à Lusa André Teives, dia em que os trabalhadores da Groundforce cumprem o segundo dia de uma greve que já levou ao cancelamento de centenas de voos.

om nova paralisação agendada para os dias 31 de julho, 1 e 2 de agosto, o dirigente sindical receia que nada mude, acentuando que desde que a greve em curso teve início “o sindicato não foi contactado por nenhuma entidade responsável, seja a Groundforce, seja a TAP”, referiu.

Lamentando a troca de acusações entre os acionistas da Groudforce - onde a Pasogal tem uma participação de 50,1% e o Grupo TAP de 49,9% - André Teives salienta que esta situação deixou apenas de ter como “reféns os trabalhadores” tendo-se alargado aos passageiros que este fim de semana viram os seus voos serem cancelados ou atrasados e atira críticas ao Governo.

“Andam dois acionistas à guerra um com o outro: a Pasogal e a TAP com Governo por trás – porque também temos de entender que não existe TAP, o que existe é Ministério das Infraestrutura e Pasogal -, com os trabalhadores no meio” referiu, sublinhando que desde este sábado, esta guerra está a “fazer reféns os milhares de passageiros que ficaram sem voos e toda a disrupção que foi criada na comunidade aeroportuária nacional”.

Sublinhado que na origem desta greve “não está nada do outro mundo”, mas algo “bem primário” e “por isso bastante legítimo”, que é o pagamento pontual do salário de julho e do subsídio de férias aos 1.700 trabalhadores que já gozaram o maior período, salienta que “quem tem responsabilidade neste país é que tem de pôr cobro a isto de uma vez por todas”.

O sindicalista manifesta-se preocupado se não forem tiradas conclusões perante a adesão e as consequências desta greve e exige uma resolução da situação, acentuando que a adesão registada nos aeroportos do Porto e do Funchal aumentou neste segundo dia de greve.

Se não nos respeitam e se perante uma adesão destas, com um efeito e com uma consequência que o país todo tem estado a assistir, não se tiram conclusões, e se continuamos orgulhosamente e teimosamente, e até de forma infantil, a ir sempre em frente com o que são as nossas guerras pessoais – e estou a referir-me tanto à Pasogal como ao próprio Governo (…) para nós é inaceitável”, referiu.

O primeiro balanço efetuado hoje pela ANA -Aeroportos de Portugal indica o cancelamento de 301 voos de e para o Lisboa, dos 511 previstos para hoje, a que se somam 26 de e para o Porto.

No Funchal, Porto Santo e Faro estão previstos cancelamentos de seis partidas e chegadas em cada.

Estes números somam-se aos registados no sábado, com a greve a levar ao cancelamento de 242 voos no aeroporto de Lisboa - 107 chegadas e 135 partidas, 18 no Porto (nove chegadas e nove partidas), enquanto em Faro e na Madeira foram canceladas três chegadas e três partidas em cada um dos aeroportos e quatro ligações aéreas no Porto Santo.

Este domingo cumpre-se o segundo dia da greve convocada pelo Sindicato dos Técnicos de Handling de Aeroportos (STHA), como protesto pela “situação de instabilidade insustentável, no que concerne ao pagamento pontual dos salários e outras componentes pecuniárias” que os trabalhadores da Groundforce enfrentam desde fevereiro de 2021.

A paralisação vai prolongar-se ainda pelos dias 31 de julho, 01 e 02 de agosto, o que levou a ANA a alertar para constrangimentos nos aeroportos nacionais, cancelamentos e atrasos nos voos assistidos pela Groundforce, nos aeroportos de Lisboa, Porto, Faro, Funchal e Porto Santo.

Além desta greve, desde o dia 15 de julho que os trabalhadores da Groundforce estão também a cumprir uma greve às horas extraordinárias, que se prolonga até às 24:00 do dia 31 de outubro de 2021.

Agência Lusa / AG