A líder da maior economia europeia já reagiu à demissão de Dominique Strauss-Kahn do cargo de director-geral do FMI. A chanceler alemã Angela Merkel diz que com a saída de DSK da instituição, o FMI pode voltar recuperar a operacionalidade.

«O governo alemão respeita a decisão de Strauss-Kahn e agradece o seu trabalho à frente do Fundo Monetário Internacional», disse o seu porta-voz.

Realçando a «maior importância» de se encontrar rapidamente um sucessor para Strauss-Kahn - que está em prisão preventiva por estar envolvido num escândalo sexual - Merkel adiantou que vai discutir com a União Europeia a sucessão do director agora demissionário.

A chanceler alemã entende que a UE deve propor um candidato europeu para a liderança da instituição, como de resto já havia defendido, mas não quis arriscar para já falar em nomes, segundo a Reuters. Ora já começam a circular rumores de que o presidente da Comissão Europeia, o português Durão Barroso, poderá ser um dos candidatos.

Também a ministra francesa das Finanças, Christine Lagarde, defende uma proposta conjunta a nível europeu para o sucessor de Strauss-Kahn.

Um discurso em linha com o de Merkel, que considera que, neste momento, é muito importante ter europeu à frente do FMI, sobretudo tendo em conta os resgates que estão a acontecer. Com um europeu, será mais fácil resolver os problemas que assolam a Zona Euro.

Ainda assim, a chanceler alemã sublinha que as economias emergentes têm também o direito de ocupar cargos de chefia na instituição. Só que a saída de Strauss-Kahn antes do tempo significa, à luz das palavras de Merkel, que os países emergentes podem estar abertos a que continue a ser um europeu a desempenhar as suas funções.

Brasil pede ao G20 «amplo consenso»

O Governo brasileiro veio também hoje enviar uma carta aos restantes membros do G20 a apelar a um «amplo consenso» na escolha do sucessor de Strauss-Kahn.

«A selecção deve ser baseada no mérito, independentemente da nacionalidade. Já passou o tempo em que podia ser remotamente apropriado reservar este importante cargo para um cidadão europeu», refere a carta enviada pelo ministro das Finanças, Guido Mantega, aos seus pares, indicou o Governo em comunicado.

«Se o FMI quer ter legitimidade, o seu director geral deve ser escolhido apenas depois de uma ampla consulta com os países membros». A selecção «deve ser baseada no mérito e isso significa que nenhuma nacionalidade pode ser excluída».

O ministro brasileiro também que a sucessão de Dominique Strauss-Kahn não seja concretizada de forma precipitada» pese embora a pressa «compreensível» de alguns países europeus. A pessoa que vier a ser escolhida deve ser «altamente qualificada» e com uma experiência e uma «sólida» formação técnica e política.
Redação / VC