Quem está no mercado imobiliário não tem dúvidas. Os preços vão continuar a descer e vai vender-se menos nos próximos meses a um ano. Para dar a volta são precisas medidas que os inquiridos no Portuguese Investment Property Survey, realizado pela revista Confidencial Imobiliário, consideram essenciais.

Os operadores consideram que do ponto de vista geral do mercado, no que se refere aos preços e vendas, “houve impactos negativos em ambos os indicadores no primeiro trimestre de 2020, considerando que as transações foram mais atingidas.”

Num horizonte de 3 meses, a tendência é semelhante, perspetivando-se novas quedas quer nos preços quer nas transações ao longo do segundo trimestre. “Já numa perspetiva anual, para os próximos 12 meses, o mercado antecipa uma descida de 8,4% nos preços e uma diminuição de 15,7% nas vendas”, acreditam.

No atual contexto, o quadro económico é agora visto como o principal obstáculo ao setor. A burocracia, nomeadamente os processos de licenciamento, continua a ser a segunda principal restrição, com um índice de 82%. Por um lado positivo, os promotores consideram que a ausência de riscos políticos em Portugal é um fator que poderá ajudar à dinâmica do mercado.

IVA a 6% e vistos gold são a chave para a retoma do mercado

Retoma e recuperação são palavras que muito se ouvem por estes dias e o mercado imobiliário não é exceção. A questão é saber quais os fatores chave para que os dois “R” aconteçam.

“A redução do IVA na construção para 6% é considerada como a medida mais importante para o setor”, de acordo os resultados do inquérito  

Em segundo lugar, de acordo com o painel de promotores inquirido, “é também crucial que o programa dos vistos gold seja relançado, mantendo o fluxo de procura internacional.”

Outras medidas, como a aplicação de isenções temporárias de alguns impostos ou permitir realizar escrituras por via digital, são também consideradas fundamentais durante este período.

De acordo os resultados do inquérito, mesmo no contexto da atual pandemia, os promotores imobiliários não tencionam parar os projetos já em construção e esperaram que a atual situação tenha um impacto mais expressivo na dinâmica de vendas do que na pressão sobre os preços. Contudo, os operadores consideram essencial a implementação de algumas medidas públicas para incentivar a retoma do mercado no pós-Covid-19.

Segundo o documento, os operadores exibiram uma elevada resiliência no contexto atual, referindo não ter planos para atrasar os projetos em construção (indicam apenas uma probabilidade de 21% de o fazer) nem estar a considerar dar descontos para manter os níveis de procura (apenas 31% de probabilidade). Em vez disso, estão a implementar outras estratégias proactivas, incluindo o maior recurso às visitas virtuais para incrementar as vendas (59% de probabilidade), mas também atrasar os projetos que ainda estão em fase de licenciamento (uma opção com 43% de probabilidade).

O Portuguese Investment Property Survey é um inquérito de sentimento e expetativas realizado pela Confidencial Imobiliário junto de um painel dos mais representativos promotores e investidores imobiliários, em associação com a Associação Portuguesa dos Promotores e Investidores Imobiliários (APPII).

Alda Martins