As exportações caíram 3,5% em outubro em comparação com o mesmo mês de 2015. Um recuo também considerável face ao aumento de 6,7% nos bens vendidos ao estrangeiro no mês anterior, setembro de 2016, indicam os dados do Instituto Nacional de Estatística.

As importações também baixaram, neste caso 1,7%, em termos homólogos, contrastando ainda com a subida de 2,2% registada em setembro.

O défice da balança comercial de bens - diferença entre os bens vendidos e os bens comprados - agravou-se 70 milhões de euros em relação ao mesmo mês do ano passado, atingindo 870 milhões de euros.

A principal explicação encontrada pelo INE é redução de 4% registada nas trocas de bens com países dentro da própria União Europeia, para as exportações e da queda de 6,4% das importações vindas de fora da UE.

Exportações para Angola e China caem 13,8%

Apenas os bens vendidos para três países aumentaram. De resto, as exportações caíram. Um dos países com os quais as trocas comerciais com ganhos para Portugal têm vindo a cair substancialmente é Angola. Embora em percentagem se destaquem, a par da China, em outubro, para a redução global França e Alemanha pesaram mais.

Angola -13,8%
China -13,8%
França -9,7%
Alemanha -8,8%
Bélgica +13%
Itália +10,6%
Estados Unidos +22%

Nas importações, no âmbito dos maiores países fornecedores em 2015, o país comprou menos à Alemanha, que o INE destaca como tendo tido o maior contributo para as contas negativas. "Em sentido contrário, salienta-se o acentuado aumento registado nas importações de Angola, essencialmente combustíveis e lubrificantes, após uma redução significativa verificada no mês anterior". 

Se não entrarem nestas contas os combustíveis e lubrificantes, o défice da balança comercial foi de 607 milhões de euros, mais 134 milhões do que em 2015. Fazendo assim a comparação, as exportações decresceram 4,1% e as importações diminuíram 0,8%, respetivamente. Em setembro a evolução tinha sido positiva em 7,9% e 3,8%. 

Desde maio de 2015 que não se registava um aumento das exportações de combustíveis e lubrificantes, o que aconteceu agora em outubro (+5%), mas a diminuição dos fornecimentos industriais (-8,1%) para o estrangeiro pesou.

De notar que, para Portugal, são muito importantes as exportações de serviços, como o turismo, que não estão contabilizadas neste boletim do INE.

Vanessa Cruz