O Departamento de Justiça dos Estados Unidos informou esta quinta-feira que chegou a um acordo com a Boeing para que a empresa pague uma indemnização de 2,5 mil milhões de dólares (cerca de 2 mil milhões de euros) na sequência de uma acusação de conspiração para defraudar a Administração Federal de Aviação no caso da avaliação da aeronave Boeing 737 Max.

Na nota do Departamento de Justiça pode ler-se que o pagamento é dividido da seguinte forma: 197 mil milhões de euros como coima; 1,4 mil milhões de euros em compensações aos clientes da Boeing; 406 milhões de euros em compensações aos familiares das vítimas dos acidentes com os voos Lion Air Flight 610 e Ethiopian Airlines 302, que fizeram um total de 346 mortos.

O voo Lion Air Flight 610 despenhou-se a 29 de outubro de 2018 quando fazia uma ligação interna na Indonésia. O Ethiopian Airlines 302 despenhou-se em março do ano seguinte num voo entre a Etiópia e o Quénia.

Os trágicos acidentes expuseram uma conduta fraudulenta dos empregadores de uma das companhias líderes a nível mundial", afirma a nota.

A nota de acusação por parte do procurador de Dallas afirma que "os depoimentos enganosos, meias verdades e as comunicações omissas da Boeing à Administração Federal de Aviação impediram o governo de assegurar a segurança na aviação pública".

Os dois acidentes acabaram por levar à suspensão da circulação do modelo 737 Max durante 20 meses, tendo sido autorizado o seu regresso recentemente.

A Boeing acabou por admitir em tribunal que dois técnicos da empresa enganaram a Administração Federal da Aviação dos Estados Unidos em relação a falhas de um sistema que esteve relacionado com os dois acidentes.

Este mecanismo, quando acionado, fazia com que o nariz do avião caísse de repente, provocando uma falha na sustentabilidade do aparelho, levando a acidentes.

Em reação ao acordo alcançado entre a Boeing e a Justiça norte-americana, o diretor-executivo da empresa, David Calhoun, admitiu que o grupo ficou "aquém dos seus valores e expetativas".

António Guimarães