Em 2007, num encontro para debater o novo aeroporto, o ex-ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Mário Lino, declarou: "construir um aeroporto na Margem Sul, jamais, jamais".

Mas, a realidade consegue sempre ultrapassar as certezas mais absolutas. Ainda que o primeiro-ministro tenha dito que não há plano B para o Aeroporto do Montijo, a realidade é que afinal há.

O tempo avança, mas o processo do aeroporto faz o caminho inverso. Agora, o país volta à casa de partida e tem Alcochete como possível destino.

A Avaliação Ambiental Estratégica vai estudá-la outra vez, bem como a solução “Portela + Montijo” e ainda, sabe o programa Exclusivo, uma nova hipótese: Montijo como principal e Portela como complementar.

Mas o Bastonário da Ordem dos Engenheiros sublinha que essa decisão “roça o ridículo” e que nunca Montijo pode ser tido como Aeroporto principal.

Como argumento a favor das opções Montijo, o Governo tem insistido que Alcochete precisa de um conjunto de grandes investimentos.

Quase dois meses depois de anunciada, ainda não se sabe quem vai fazer esta Avaliação Ambiental Estratégica, certo é que o processo está agora em mais um impasse.

Implicará uma adenda ao contrato de concessão com a ANA e pode mesmo fazer com que não haja uma resposta a tempo da retoma do setor da aviação civil, após a pandemia.

A TVI sabe que, se a opção for Alcochete, poderá demorar ainda mais tempo a executar o projeto. E mais de metade do valor terá de ser pago pelo Estado, através de um subsídio público.

Isto engloba os acessos a um novo aeroporto, mas ficarão ainda a faltar possivelmente centenas de milhões de euros para medidas de redução do impacto ambiental.

André Carvalho Ramos