Os funcionários públicos solteiros sem filhos que ganham 683,13 euros e que tiveram este ano um aumento de 10 euros vão ficar com um salário líquido mensal inferior ao que tinham no ano passado, descontando 29 euros de IRS. 

Os cálculos feitos pela consultora Deloitte mostram que os funcionários públicos solteiros e sem filhos que estão no nível 5 da tabela remuneratória única, apesar de a sua remuneração base bruta ter passado de 683,13 para 693,13 com a atualização salarial que entrou em vigor este mês, vão pagar de imposto 29,11 euros, quando antes do aumento salarial descontavam 0,68 euros.

Fazendo as contas, retirando os 29,11 euros de retenção na fonte ao ‘novo’ salário bruto de 693,13 euros, o trabalhador fica com 664,02 euros quando no ano passado o mesmo funcionário ficava com 682,4 euro depois de aplicada a retenção na fonte de IRS.

Com o recebimento dos retroativos dos aumentos a janeiro, este trabalhador ficou em abril com uma remuneração bruta de 723,13 euros, mas terá de descontar 52,79 euros, acima dos 40 euros que ganhou com os retroativos relativos aos quatro meses e ficando assim com 670,34 euros.

A estes montantes falta ainda descontar as contribuições sociais de 11% e também os 3,5% para a ADSE, nalguns casos, que não são tidas em conta nas simulações da consultora.

Esta situação só se verifica para os funcionários deste nível remuneratório que sejam solteiros e sem filhos, já que para os casados com dois filhos há um ganho líquido ao fim do mês após descontar o IRS.

Ainda assim, os casados com dois filhos que viram o seu salário aumentar 10 euros, de 683,13 euros para os 693,13 euros brutos passam a descontar 6,24 euros de IRS, quando antes estavam isentos.

Na prática, dos 10 euros de aumento, levam para casa, após a retenção na fonte, 3,76 euros, ao que se retira também os 11% de contribuições sociais e os 3,5% para a ADSE se forem beneficiários deste sistema de saúde.

Por sua vez, os trabalhadores que recebiam 635,07 euros e que também tiveram um aumento de 10 euros para 645,07 euros continuam isentos de imposto este ano.

Os aumentos da função pública começaram a ser aplicados com os salários de abril, com retroativos a janeiro.

Enquanto os cerca de 150 mil trabalhadores que ganham menos de 700 euros tiveram um aumento de 10 euros, a generalidade dos funcionários públicos contou com uma atualização de 0,3%, ao nível da inflação.

Um trabalhador casado com dois filhos que ganhava uma remuneração bruta de 1.098,5 euros passou a receber 1.101,8 euros brutos, ou seja, mais 3,3 euros e passou a ter uma retenção na fonte de 120,1 euros, mais 0,36 euros do que antes do aumento salarial.

Com os retroativos dos aumentos pagos em abril, este trabalhador ganhou 1.111,7 euros e descontou um pouco mais: 121,18 euros para IRS.

Já um trabalhador casado e com dois filhos que ganhava no ano passado 1.510,43 euros brutos passou a ter uma remuneração bruta mensal de 1.514,96 euros (mais 4,53 euros) e passou a descontar 227,24 euros de imposto (mais 0,68 euros face ao ano passado).

No caso de salários mais elevados, de 3.003,07 euros brutos, a atualização salarial resultou num aumento bruto de 9,64 euros para 3.012,71 euros, tendo a retenção na fonte passado a ser de 798,37 euros, ou seja, mais 2,55 euros por mês.

/ CE