A Efacec está em ruptura de tesouraria iminente, já está a falhar pagamentos a fornecedores e o próprio pagamento de subsídios de férias a trabalhadores pode estar em causa. 

Estas informações foram adiantadas esta noite no programa “Primeira Mão”, da TVI. Depois de um ano de 2019 em que a empresa teve prejuízos, o caso Luanda Leaks colocou a empresa num limbo, a que se somou o impacto da pandemia.

A posição de Isabel dos Santos está à venda, havendo três dezenas de empresas, incluindo três grupos portugueses, que podem apresentar propostas ainda não finais no próximo dia 26 de junho. O problema é por um lado o preço, uma vez que a empresa - que foi avaliada em 160 a 200 milhões de euros em abril pelo banco de investimento Storm Harbour, perdeu valor nos últimos meses, pelo que as propostas poderão rondar os 100 milhões - metade do que Isabel dos Santos pagou há quase cinco anos, numa aquisição que está aliás a ser investigada judicialmente. 

O segundo problema é o tempo, que vai passando sem que a empresa consiga sair da espiral negativa em que entrou, por falta de apoio dos bancos e por estar na “lista negra” por causa da ligação a Isabel dos Santos e ao caso Luanda Leaks.

O governo está desde o início deste ano a acompanhar todo o processo, havendo vários cenários em cima da mesa, incluindo um cenário de nacionalização, visto como de último recurso e que o Governo não quer adoptar. Um cenário intermédio possível é a criação de um veículo para parquear a participação de Isabel dos Santos até à venda, estando o governo a ser pressionado a ficar dono desse veículo, transitoriamente até à venda.

 

“Resolução do BES já custou mais de 16 mil milhões”

A resolução do BES e posterior autonomização do Novo Banco já teve custos superiores a 16 mil milhões de euros, revela o programa da TVI “Primeira Mão”.

Estes custos são repartidos por accionistas, obrigacionistas, clientes de produtos de papel comercial e contribuintes. Mesmo a conta dos contribuintes é superior aos 3,9 mil milhões de euros de que tipicamente te se fala, explica o jornalista Pedro Santos Guerreiro. Que salienta ainda que os custos da pandemia na banca não se vão resumir ao Novo Banco, alargando-se a todos os bancos, que têm neste momento milhares de clientes em moratórias de crédito. Muitos não conseguirão mais tarde pagar, o que pode exigir capital a vários bancos.

“Governo arrisca-se a engolir as previsões de recessão e défice que apresentou”

O Governo apresentou um Orçamento Suplementar com previsões mais otimistas que quase todas as demais entidades oficiais: FMI, Conselho de Finanças Públicas, OCDE e Banco de Portugal preveem um recessão pior; só a Comissão Europeia admite uma queda económica ligeiramente melhor que o Governo, numa previsão ainda assim mais antiga.

No programa da TVI “Primeira Mão”, o jornalista Pedro Santos Guerreiro compara as várias previsões e explica que se o Governo não tiver razão nas suas previsões, então não só será necessário ter mais medidas de apoio social e à economia como o défice será mais grave, e terá de ser pago mais tarde.

Pedro Santos Guerreiro