O presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim, disse hoje que se a Madeira tiver a sua dívida pública controlada em 2015 os madeirenses poderão então questionar porque têm de aturar as «leis e os governantes» de Lisboa.

Alberto João Jardim deslocou-se hoje ao adro da igreja de Santa Cruz onde explicou às pessoas que iam saindo da missa dominical as razões pelas quais teve de assinar com o Estado português, «sob dominação estrangeira», o «Programa de Ajustamento Económico Financeiro» no valor de 1500 milhões de euros para fazer face a uma dívida pública regional de 6 mil milhões de euros, sublinhando que, na sua opinião, a Madeira não a teria se a República Portuguesa tivesse cumprido com as suas obrigações constitucionais ao nível da Educação e da Saúde que custaram à Região 9 mil milhões de euros desde 1976.

O governante lembrou que a dívida resultou da necessidade de fazer desenvolver a Região, do aproveitamento dos apoios da União Europeia e do «sentido de oportunidade», numa «altura que havia dinheiro», e avivou também que essa dívida tinha na sua génese a «apropriação» que o engenheiro Sócrates, «que Deus tenha em sua Santa memória», cometeu em relação à Madeira durante os anos em que foi primeiro-ministro: «roubou-nos dinheiro para entregar nos cofres de Lisboa e dos Açores», acusou.

«Lisboa nunca nos fez obra nenhuma depois da autonomia, Lisboa pôs-nos a pagar tudo aquilo que devíamos, não assumiu um tostão», declarou da tribuna montada no largo da Igreja de Santa Cruz onde, para além de alguns naturais do concelho que assistiam e ouviam as explanações do tribuno, era também patente a presença de deputados do PSD-M de outros concelhos.

«Se nós chegarmos a outubro de 2015 (data que termina o seu mandato e que assegura que não se recandidatará) com a situação financeira controlada, nós podemos dizer, afinal, o que é que Lisboa está fazendo?», afirmou.

«O que nós fazemos, pagamos; todos os serviços que se fazem na Madeira fomos nós que pagamos», observou, ripostando em seguida: «porque estamos aqui a aturar leis de Lisboa com as quais não concordamos; a aturar governantes de Lisboa com os quais, nada temos a ver. Que é isto?», questionou.

Nessa altura, concluiu, «o povo terá a demonstração que a autonomia funcionou e o povo terá o direito de tomar as suas decisões».