O ministro das Finanças, João Leão, defendeu esta quarta-feira em Lisboa, que a recuperação económica será “robusta” no segundo semestre, podendo ultrapassar os 4% inscritos no Programa de Estabilidade, apesar do impacto da pandemia.

A variante delta está a fazer o número de casos aumentar, apesar disso estamos confiantes que a recuperação económica será robusta neste segundo semestre e que o crescimento possa ficar acima do que estava no Programa de Estabilidade”, afirmou João Leão, à entrada para a cimeira de recuperação, no CCB, centro logístico da presidência portuguesa do Conselho da União Europeia.

O governante disse ainda esperar que esta recuperação possa ultrapassar os 4%, apesar de ressalvar ser ainda “incerto” prever a evolução.

A Cimeira da Recuperação, o último evento político da presidência portuguesa do Conselho da União Europeia, decorre hoje à tarde no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, sob a organização do Ministério das Finanças.

O ministro de Estado e das Finanças disse ainda que a incerteza associada ao setor do turismo está a ser compensada por outros setores da economia nacional, que estão a ter um comportamento melhor que em 2019.

Em declarações aos jornalistas durante a Cimeira da Recuperação, que decorre hoje no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, e encerra a presidência portuguesa do Conselho da União Europeia, o governante assinalou que os últimos indicadores nacionais "são muito positivos".

Do ponto de vista dos indicadores nacionais, que têm a ver com o mercado interno, tem estado a evoluir [de forma] muito positiva em muitas áreas", relevando que durante maio e junho a evolução "é já superior ao nível de 2019".

João Leão destacou o setor da construção, que evolui "muito bem" e "acaba por ser muito importante para a estabilização económica".

"O consumo de cimento está a aumentar ano após ano, e em níveis bastante acima do período pré-pandémico, o que mostra que o setor da construção está a evoluir e consegue ter financiamento e procura, está com uma dinâmica positiva", assinalou o ministro.

No entanto, João Leão admitiu que no turismo, setor onde "tinha começado a haver uma recuperação muito forte no mês de maio", esta acaba por ter "alguma incerteza associada à evolução da pandemia".

"Existe maior incerteza sobre qual o grau de recuperação, sobretudo na parte do turismo que resulta dos turistas internacionais", que "não tem o mesmo grau de recuperação que tem o mercado interno", disse, após ser questionado acerca das restrições de voos para mercados emissores de turistas, como o Reino Unido e a Alemanha.

João Leão disse que o Governo irá acompanhar "com preocupação e atenção" a diminuição de viagens turísticas, mas disse ter esperança que com o desenrolar do verão "se vá sentindo uma recuperação mais efetiva desse setor".

João Leão disse ainda esperar que os efeitos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) tenham "um impacto significativo" já no segundo semestre.

"Há certas dimensões do plano de recuperação que têm efeitos mais imediatos. O Governo anunciou alguns desses planos, por exemplo na área das energias renováveis. São planos que conseguimos pôr rapidamente no terreno com apoios para as famílias e empresas investirem", assinalou.

Por outro lado, "os outros investimentos mais significativos, mais pesados, vão gradualmente entrando no terreno".

À entrada para a Cimeira da Recuperação de hoje, João Leão já tinha apontado para um crescimento da economia portuguesa superior a 4% para este ano, acima do previsto no Programa de Estabilidade, e não especificou se mantém a expectativa de poder chegar aos 5%, como antecipou, em entrevista à Lusa, em maio.

Também em maio, a Comissão Europeia reviu em baixa o crescimento económico esperado para Portugal, apontando para 3,9% quando em fevereiro esperava 4,1%.

Em termos trimestrais, Bruxelas aponta para uma recuperação do PIB português do segundo ao quarto trimestre, quer em cadeia (3,2%, 3,9%, e 1,0% respetivamente), quer face aos mesmos trimestres do ano passado (13,5%, 4,0% e 4,9%, respetivamente).

Em termos anuais, as previsões da Comissão Europeia estão exatamente alinhadas com as do Fundo Monetário Internacional (FMI), estando uma décima abaixo dos 4,0% esperados pelo Governo, abaixo dos 4,8% previstos pelo Banco de Portugal (BdP), e acima dos 3,3% do Conselho das Finanças Públicas (CFP) e dos 3,7% da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

/ AG