Em entrevista à TVI24, o líder parlamentar do PCP reiterou que o partido mantém a intenção de chumbar o Orçamento do Estado apesar das medidas aprovadas pelo Conselho de Ministros para os setores da Saúde, Trabalho e Cultura, esta quinta-feira.

João Oliveira considera que “não há condições para apontar num sentido diferente daquele que foi apontado na semana passada”. Os comunistas reiteram que são necessárias respostas concretas alinhadas com as propostas do PCP.

Foi possível discutir de forma mais alargada um conjunto de medidas que o PCP tinha apresentado, mas para haver avanços é preciso que haja mais do que isso. É preciso que haja mais do que discussão. É preciso que haja compromissos e soluções concretas para os problemas”, refere João Oliveira.

O PCP diz que não existiu uma "alteração significativa" quanto às leis laborais o que considera ser um sinal que "não é muito encorajador".

O líder parlamentar comunista lembra que desde 2016 que o partido reforça a importância da criação de medidas para o setor do trabalho, sobretudo, em relação aos "despedimentos coletivos e por extinção de postos de trabalho".

Um dos aspetos absolutamente essenciais é pôr um travão aos despedimentos coletivos e aos despedimentos por extinção do posto de trabalho. Todos os dias são dezenas de trabalhadores que são empurrados para processos de despedimentos coletivos”, acrescenta.

 

João Oliveira aproveitou para relembrar que, em 2020, "foram concedidos em benefícios fiscais em sede de IRC, sobretudo, a grandes empresas mil milhões de euros". Sem esquecer os "três mil milhões do PRR", o deputado critica o Governo por não ter sido capaz de "canalizar os recursos para onde eles mais fazem falta".

Questionado sobre se o PCP prefere aprovar o Orçamento do Estado ou eleições antecipadas, o comunista optou por lembrar que “a pior coisa que pode acontecer é haver cidadãos portugueses que vivendo do seu trabalho e esforço diário sintam que os seus problemas são desconsiderados e menosprezados pelo Governo".

Isso tem como resultado que as pessoas desesperadas ficam à mercê de vendedores de banha da cobra que à direita ou extrema-direita possam vir manipular as pessoas”, avisa João Oliveira.

 Apesar de as negociações entre PCP e o Executivo não estarem em rota de convergência, João Oliveira revelou que vão existir reuniões nos próximos dias.

Ainda assim, acrescenta que a troca de documentos e propostas com o Governo “não tem sido tão frequente como foi no passado. Tem sido mais excecional, mas é uma possibilidade que não está afastada”.

João Oliveira, líder parlamentar do PCP, foi entrevistado esta quinta-feira na TVI24. No mesmo dia, em que o Governo aprovou três diplomas com um conjunto de medidas destinadas aos setores da Saúde, Trabalho e Cultura.

Nuno Mandeiro