O secretário de Estado das Infraestruturas defendeu hoje em Lisboa, que o plano ferroviário deve ter em conta os serviços que a infraestrutura vai prestar, lembrando que há quase 100 anos não se constrói uma linha em Portugal.

O Plano Ferroviário Nacional [PFN] tem de ter em consideração a reflexão sobre os serviços para os quais queremos que a infraestrutura seja utilizada […]. Tem de estar ancorado nos serviços que queremos prestar […] ao país e aos cidadãos”, afirmou Jorge Delgado, na sessão de lançamento do PFN.

Lembrando que muito do investimento na ferrovia tem sido feito tendo por base os ciclos de investimento europeu, o governante reconheceu ainda que, há quase 100 anos, não se constroem linhas em Portugal e que muitas foram desativadas.

Dotar o país de um Plano Ferroviário Nacional é um desígnio que está no programa do Governo e que tem uma enorme importância”, sublinhou.

Dívida da CP

O ministro das Infraestruturas afirmou esta segunda-feira o Estado tem que financiar a dívida histórica da CP porque, no passado, não pagava pelo serviço que obrigava a empresa a prestar.

Temos que financiar a divida histórica porque o Estado, no passado, não pagava serviço à CP no território, mas impunha que o prestasse”, notou Pedro Nuno Santos, durante a sessão de lançamento do Plano Ferroviário Nacional (PFN).

Admitindo que o “Estado não fazia a sua parte”, o governante lembrou que, no sentido oposto, eram celebrados contratos de concessão com operadores privados, que permitiam às respetivas empresas ter uma “operação equilibrada ou rentável”.

Por isso é que o contrato é tão importante e dá estabilidade à nossa empresa pública, que ela não teve até agora”, concluiu.

Na mesma sessão, o vice-presidente da CP já tinha defendido que, apesar de a empresa ter “capacidade, conhecimentos e competências”, precisa de resolver a dívida histórica e ter autonomia de gestão para competir, quando a infraestrutura tiver melhores condições.

A CP tem todas as capacidades, conhecimentos e competências técnicas e organizacionais para fazer face ao ordenamento da rede e dar resposta à emergência do plano ferroviário”, afirmou o vice-presidente da empresa, Pedro Moreira.

No entanto, este responsável admitiu que a dívida histórica da CP – Comboios de Portugal e a autonomia de gestão podem ser entraves quando a infraestrutura tiver melhores condições, notando ser necessário resolver estas questões.

Se não o fizermos, a CP não conseguirá dar resposta à concorrência que vai aparecer”, vincou.

/ LF