«- O desgate e as dificuldades encontradas para fazer prova demonstrações financeiras de 2001, que resultava de alguma dificuldade na obtenção de informação na estrutura», com o «reencaminhamento dos pedidos de informação» a Ricardo Salgado

- A não existência de contas consolidadas e auditadas ao GES

- Sem prejuízo de todos os melhoramentos introduzidos na governance do bancos nos últimos anos com, por exemplo, a criação da comissão de auditoria em 2001, os três papéis de Ricardo Salgado, como CEO [presidente executivo, responsável financeiro e de contabilidade deixava-nos desconfortáveis em relação a riscos adicionais»

José Alves chegou mesmo a admitir que existia um «clima de tensão». Recorde-se que, num relatório de auditoria de dezembro de 2001, a PwC já advertia para vários problemas no banco, «sem reservas, mas com ênfases». Alertava-se para a elevada exposição do BES às empresas do Grupo Espírito Santo (GES), bem como para as operações com empresas offshore.

A concessão de créditos levantou a «suspeita» de que poderiam estar em causa investimentos do próprio banco, com a Price a garantir que advertiu o Banco de Portugal. O supervisor acreditou que eram empréstimos genuínos

«Nunca obtivemos contas consolidadas da ESI»

Foi o elevado endividamento da Espírito Santo Internacional, acionista do BES, que precipitou a derrocada do GES, que levou por arrasto o banco. Já num relatório de auditoria das contas da ESI, em 2000, se alertava para «montantes significativos de perdas geradas em anos anteriores». A PwC garante que pediu acesso às contas, sem sucesso.  «Nunca obtivemos as contas consolidadas, isso era claro para nós», afirmou, já em resposta às primeiras perguntas, formuladas pelo deputado do PCP, Miguel Tiago. 

O deputado quis saber quem forneceu essas contas e se Ricardo Salgado teve intervenção, mas o presidente da PwC diz que não consegue responder, porque não era responsável da auditora à data.

José Alves admitiu, também, que a Price não comunicou ao Banco de Portugal o resultado dessa análise às contas de 2000 e ao «conjunto de dívidas» que existia porque concluiu que «não havia necessidade de imparidades, à data, dessas dívidas». Daí ter comunicado uma «opinião de auditoria sem reservas».

Miguel Tiago, do PCP, quis saber por que a auditora não comunicou os problemas ao Banco de Portugal. Segundo José Alves, foi por «sigilo profissional», uma vez que a auditora só estava obrigada a reportar se tivesse detetado «situações que infringissem os normativos», o que não era o caso.

A passagem de testemunho à KPMG



«A KPMG teve acesso a toda a informação incluída nos relatórios. O relatório de 2002 foi dado a ler à equipa da KPMG. As reservas para aceitação do cliente também foram comunicadas». A  KPMG tinha «obrigatoriedade total de conhecimento» desses relatórios