A preocupação à volta do referendo em Itália já vinha sendo intensificada na última semana. E o que se antecipava aconteceu: o 'não' no referendo ganhou e o primeiro-ministro, Matteo Renzi, que queria o 'sim' bateu com a porta como tinha prometido. Demitiu-se e abriu uma crise política numa das mais importantes economias europeias.

Uma primeira reação não se fez esperar nos mercados, com a escalada dos juros da dívida, sobretudo nos países periféricos e uma abertura negativa nas bolsas europeias, com destaque para a banca a afundar.

No mercado da dívida, o nervosismo logo se fez sentir ainda antes da abertura das bolsas, com os juros italianos a subir de 1,9% (fecho de sexta-feira) para cima dos 2%. Portugal e Espanha logo foram afetados, com uma escalada de 3,69% para 3,84% no caso nacional e 1,54% para 1,71% no país vizinho.

Mas também as Obrigações do Tesouro alemãs, que servem de referência, e as francesas subiram, embora menos (de 0,28% para 0,31% e 0,7 para 0,78%, respetivamente).

Banca italiana treme

Os bancos italianos derraparam 4,2% na abertura da sessão, levando as perdas acumuladas no ano para 50. É o setor bancário com pior performance em todo o mundo. O Monte dei Paschi de Siena afundou cerca de 7%, enquanto o Unicredit desceu 4,8%.A praça de Milão, no seu conjunto, deslizou 2%. 

Em Espanha, o IBEX caiu 0,9%, o CAC francês e o FTSE inglês 0,4%. Lisboa também registou uma abertura no vermelho, a cair 0,23%. Frankfurt teve a menor queda europeia, de 0,1%. Sendo que na primeira meia hora a maioria das praças inverteu para terreno positivo, à exceção de Madrid, que demorou um pouco mais, e Milão que permaneceu do lado das perdas até depois das 09:00.

Por um lado já se antecipava que o não no referendo ganhasse e que Renzi se demitisse. Depois, há outras notícias a ser seguidas pelos investidores. Temia-se o avanço do populismo, mas a extrema-direita foi derrotada nas presidenciais. Em França, o primeiro-ministro Manuel Valls vai anunciar a candidatura às presidenciais, depois de Hollande ter dito que não se recandidata. Como os mercados gostam de previsibilidade, é uma notícia que acompanham. 

Depois, a Grécia, que hoje ambiciona alcançar alguma recompensa no Eurogrupo, está a ver os juros aliviar ligeiramente de 6,52% para 6,48%. E isto embora seja vista como patinho feio da UE que mais facilmente pode levar um abanão no dominó europeu.

É que, para além de o Eurogrupo poder trazer boas notícias quanto a um potencial alívio da dívida do país, o vice-primeiro ministro Yannis Dragasakis  disse no sábado que o país ter testar o mercado de capitais na primeira metade de 2017, iniciando o caminho para um retorno total ao mercado em 2018, quando o seu programa terminar.

Vanessa Cruz / Atualizada às 09:40