Ano Novo, despesas novas e alguns alívios no bolso. A TVI24 fez uma lista de bens que todos pagamos/ compramos e os seus preços, quase todos, já a partir de 1 de janeiro de 2019.

JUROS

As taxas Euribor, que servem de indexante ao crédito à habitação, continuam a subir e assim devem continuar ao longo de 2019. Os analistas acreditam que vão permanecer em terreno negativo ao longo do ano e que só para o final, início de 2020, voltarão ao sinal positivo. Tudo vai depender da conjuntura internacional: se a perda de gás da economia da Zona Euro fizer com que o Banco Central adie mexer nos juros diretores então, mais tempo poderão alguns bolsos respirar de alívio.

Sobre a taxa que os bancos cobram por emprestar dinheiro – o spread – não haverá, para já, margem para descidas, já fizeram saber os bancos.

RENDAS

O valor das rendas deverá aumentar 1,15% em 2019, de acordo com o coeficiente de atualização publicado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Segundo o instituto, nos últimos 12 meses, até agosto, a variação do índice de preços, excluindo a habitação, foi de 1,15%. Valor que serve de base ao tal coeficiente, ao abrigo do Novo Regime do Arrendamento Urbano (NRAU), e que representa cerca de 1,15 euros por cada 100 euros de renda.

Claro que este aumento não exclui qualquer exceção de negociação entre as partes. Os proprietários que queiram atualizar as rendas devem ter em conta que apenas o podem fazer um ano após o início do contrato ou da última atualização. A comunicação terá de ser feita em carta registada ou em mão.

ELETRICIDADE

Boas notícias para os consumidores domésticos que ainda estão no mercado regulado de eletricidade – cerca de um milhão. As tarifas descem 3,5% a partir de 1 de janeiro, tal como anunciou a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE).

Esta redução de 3,5% representa uma diminuição de cerca de 1,58 euros para uma fatura mensal de 45,1 euros, de acordo com as contas divulgadas pelo regulador.

Nas regiões autónomas dos Açores e Madeira a redução é de 0,6%.

Os operadores no mercado livre seguiram a decisão do regulador e anunciaram também descida. Foi o caos da EDP Comercial, que controla grande parte do mercado liberalizado, que assegura que vai descer os preços em 3,5%. Já a Endesa diz que a baixa, em média, das suas tarifas deve rondar os 6,3% no ano que vem.

O melhor mesmo é simular a melhor tarifa para o seu caso: http://www.erse.pt/pt/simuladores/Paginas/Simuladores.aspx

Além da tarifa terá lugar a redução do IVA de 23% para 6% em um contador de potência até 3,45 quilowatts (kVa).

GÁS

As tarifas transitórias do gás natural não sofrem quaisquer alterações, uma vez que atualização tarifária só acontecerá a 1 de julho para os consumidores que se mantêm no mercado regulado.

ÁGUA

A Câmara do Porto vai reduzir em 2% a tarifa base da água, que abrange todos os munícipes e que tem um impacto maior naqueles que apresentam menores consumos, tradicionalmente as famílias mais carenciadas.

Já em Lisboa as tarifas ainda não são conhecidas. A divulgação, por parte da EPAL, é feita a 31 de dezembro.

TELECOMUNICAÇÕES

A Nos e a Meo já anunciaram que vão aumentar os preços das telecomunicações em 2019, para acompanhar a atualização da inflação. A Vodafone não decidiu.

PORTAGENS

Os preços das portagens nas autoestradas aumentam 0,88% em janeiro, tendo em conta a taxa de inflação homóloga, sem habitação, de outubro, divulgada pelo INE.

A fórmula que estabelece a forma como é calculado o aumento do preço das portagens, em cada ano, está prevista no decreto-lei n.º 294/97 e define que a variação a praticar tem como referência a taxa de inflação homóloga sem habitação no Continente conhecida até dia 15 de novembro, data em que os concessionários devem comunicar ao Governo as suas propostas de preços.

No entanto, nem todos os troços vão sentir um agravamento, já que o método de revisão inclui um mecanismo de arredondamento das taxas para o múltiplo de cinco cêntimos mais próximo.

Se, por exemplo, os aumentos forem inferiores a 2,5 cêntimos, a portagem manter-se-á inalterada. Mas se o aumento for superior, há um arredondamento automático para os 5 cêntimos.

A 1 de janeiro vai também haver veículos que passam a pagar menos por via da revisão de classes

CARROS

Comprar carro ou tê-los pode fica mais caro em 2019, se escolher um veículo mais poluente. O Imposto Sobre os Veículos (ISV) e o Imposto Único de Circulação (IUC) vão "pesar" mais, sempre que haja mais dióxido de carbono. Boas notícias só mesmo para os veículos elétricos. É que mesmo que recarregar seja pago desde 1 de novembro e à saída do stand estes carros sejam mais caros, se calhar, a médio prazo compensa ter um.

No que toca aos combustíveis, mantêm-se o adicional ao Imposto Sobre Produtos Petrolíferos (ISP), mas só sobre o gasóleo. Ou seja, se persistir a tendência de queda doo preço da matéria-prima nos mercados internacionais, é previsível que a gasolina sofra maiores corte de preço porque deixa de ter os tars 3,7 cêntimos por litro (3 do ISP e 0,7 do IVA).

Veja também: Espere pelo novo ano para abastecer o carro

TRANSPORTES PÙBLICOS

Os transportes públicos deverão ter um aumento médio até 1,14% segundo uma informação publicada no site da Autoridade Metropolitana de Transportes.

Enquanto o Orçamento do Estado para 2019 prevê aumento da verba de apoio para reduzir os preços dos passes sociais em 21 milhões de euros, para 104 milhões. O financiamento do Programa de Apoio à Redução Tarifária (PART) nos transportes públicos para o ano de 2019 vai ficar disponível a partir de 1 de abril, sendo a fixação dos tarifários da competência das autoridades de transportes de cada área metropolitana e comunidade intermunicipal.

Lisboa e Porto, as principais cidades do país, acabaram por seguir modalidades diferentes.

No Porto, nas assinaturas mensais, no caso das viagens Z2, a subida é de 30,60 para 31,15 euros, o equivalente a um aumento de 1,79% relativamente aos valores de 2018, segundo os cálculos feitos pela agência Lusa.

No que diz respeito aos títulos "ocasionais", também usados no Metro do Porto, Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP), CP e operadores privados, os preços continuam os mesmos, variando entre os 1,20 euros para as viagens Z2 e os 5,20 euros para as Z12.

Segundo o novo tarifário divulgado pela TIP, os Andante 24 também entram em 2019 com os mesmos valores, oscilando entre os 4,15 e os 18 euros.

Quanto aos passes de assinatura mensal, o mais baixo vai situar-se nos 31,15 euros para as viagens Z2, nos 38,40 para as Z3 e nos 48,65 para as Z4, chegando aos 127,10 para as Z12.

Em Lisboa, Carris e Metro vão manter os preços inalterados a 1 de janeiro, optando por subir o preço dos títulos ocasionais. Por exemplo, a tarifa de bordo dos autocarros aumenta 15 cêntimos para os dois euros, e andar de elétrico vai custar 3 euros, mais 10 cêntimos, segundo noticiou o Negócios.

TABACO

O aumento do Imposto sobre o Tabaco (IT) previsto no Orçamento pode significar uma subida de cerca de 10 cêntimos no maço de cigarros, segundo as simulações feitas pela consultora Deloitte.

“No caso de um maço de tabaco que custe hoje 4,90 euros, estima-se que o imposto adicional não ultrapasse os 5 cêntimos”. Assim, “pretendendo os agentes económicos, pelo menos, manter as suas margens, um maço de tabaco que custe hoje 4,90 euros deverá passar a custar 5 euros”, disse após a divulgação da proposta de OE, à agência Lusa, o fiscalista Afonso Arnaldo, da Deloitte.

REFRIGERANTES

A subida de tributação sobre as bebidas não alcoólicas com mais açúcar vai fazer aumentar uma garrafa de um litro de Coca-Cola com 106 gramas de açúcar por litro em cerca de 3,65%, segundo as simulações feitas pela PricewaterhouseCoopers (PwC) para a Lusa.

Segundo a consultora, no caso de uma garrafa de dois litros de 7Up com um teor de açúcar de 110 gramas por litro, o aumento chega aos 4,06 euros e uma garrafa de 250 mililitros de Red Bull com um teor de açúcar de 110 gramas por litro terá um aumento de 0,76 euros.

LEITE

O secretário-geral da Fenalac, Fernando Cardoso, disse à Lusa que o preço do leite deverá manter-se em 2019, apesar de a escassez de alimentação para os animais poder ter alguma influência a longo prazo.

No entanto, a escassez de alimentação para os animais provocada por fenómenos meteorológicos, como a tempestade Leslie, “podem ser um fator de alguma redução da produção” e podem ter efeitos, a longo prazo, nos preços.

PÃO

O preço do pão poderá subir em 2019, acompanhando o aumento do salário mínimo e do valor da matéria-prima, disse à Lusa, na semana passada, o presidente da Associação dos Industriais da Panificação, Pastelaria e Similares do Norte.

As empresas estão a absorver os seus custos [de produção e estão também] a tornar-se muito mais eficientes. Não sei qual será o papel dos empresários, mas acredito que possam ter que repercutir isso no preço dos produtos comercializados”, disse António Fontes, em declarações à Lusa.

Para o responsável, em causa está uma subida de 10% no preço da farinha nos últimos três meses, bem como a atualização do salário mínimo para 600 euros a partir de 1 de janeiro.