O Governo ainda não comunicou aos laboratórios de investigação se vai desbloquear os oitos milhões de euros necessários para projetos de investimento comunitário (QREN). A dnúncia partiu esta sexta-feira do secretário nacional do PS Álvaro Beleza.

«Com os investimentos do QREN para laboratório, o Estado português só precisa de gastar oito milhões de euros por ano para todos os laboratórios de investigação em Portugal, para todos, e os laboratórios ainda não sabem se vão ter esses oito milhões», alertou Álvaro Beleza, citado pela Lusa.

O secretário nacional do PS com a pasta da saúde falava aos jornalistas no final de uma visita com vários deputados socialistas ao Hospital de São José, no âmbito da semana «Em defesa da saúde» que o partido está a promover.

Neste contexto, Beleza deu como exemplo o Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (IPATIMUP), um dos mais avançados do mundo na investigação do cancro, para ilustrar a dimensão dos custos comparativamente a outros institutos semelhantes.

«Os dois maiores institutos do mundo [na área do cancro] são o do Porto e um em Filadélfia, o de Filadélfia tem um orçamento de 38 milhões de euros, o do Porto tem um de seis milhões», notou, referindo-se a este instituto que o PS visitou na segunda-feira.

O socialista e também antigo candidato à liderança do partido referiu que estes laboratórios se financiam de outras formas, através de exames que realizam ou que exportam e ao acolherem médicos estrangeiros em formação, mas defendeu que o país deve investir naquela que é «a área de ponta na investigação em Portugal».

«A área mais desenvolvida em Portugal em termos de investigação é a medicina, as áreas da saúde, este é um tema que talvez o país devesse olhar com alguma atenção e cuidado».

O dirigente do PS, que acompanhou todas as visitas desta semana «Em defesa da saúde», fez um balanço positivo da iniciativa, mas teceu algumas críticas à política do Governo e disse ter observado nos vários responsáveis com quem contactou uma «preocupação em relação à asfixia do SNS e uma grande ansiedade» em relação aos cortes previstos.

Álvaro Beleza criticou por exemplo que existam «110 unidades de cuidados continuados prontas a abrir e que não abrem» - e que permitiriam «uma poupança enorme ao SNS» - ou que não haja «uma estratégia do Governo para aproveitar» os recursos das Misericórdias portuguesas.

O antigo presidente do Instituto Português do Sangue (IPS) sublinhou ainda que deve haver um melhor aproveitamento «da capacidade instalada do Estado ao serviço do SNS», designadamente ao nível laboratorial, uma área em que trabalha há muitos anos.