O Banco Central Europeu (BCE) anunciou hoje que decidiu aumentar em 600 mil milhões de euros o volume do programa de compra de ativos de emergência (PEPP), destinado a limitar o impacto da crise causada pelo novo coronavírus.

O montante global deste programa que foi lançado em março passado ascende agora a 1,35 biliões de euros, indicou em comunicado o BCE, que também alargou a sua duração pelo menos até ao final de junho de 2021.

Inicialmente o programa previa a compra de 750 mil milhões de euros de dívida até ao final deste ano, uma medida destinada a apoiar a economia da zona euro.

O BCE explicou que este aumento do PEPP está relacionado com a revisão das previsões de inflação e apoiará "as condições de financiamento da economia real, em particular das empresas e das famílias".

A instituição adiantou que os títulos adquiridos no âmbito do PEPP que cheguem ao fim do seu prazo serão reinvestidos "pelo menos até ao fim de 2022".

Até 29 de maio, o BCE tinha adquirido com este programa dívida no valor de 234.665 milhões de euros, dos quais 186.603 milhões em dívida pública.

O programa de emergência é apenas uma parte dos instrumentos a que o BCE recorreu para enfrentar a crise.

A instituição monetária já tinha anunciado anteriormente que vai gastar 120 mil milhões de euros suplementares até dezembro no âmbito do programa de compra de ativos que esteve em vigor entre março de 2015 e finais de 2018 e foi relançado em novembro passado a um ritmo mensal de 20 mil milhões de euros.

Na reunião de hoje, o BCE deixou as taxas de juros inalteradas, com a principal taxa de refinanciamento a manter-se em zero, a taxa de depósitos em -0,50% e a taxa aplicada à facilidade permanente de cedência de liquidez em 0,25%.

Economia da da zona euro deve recuar 8,7% em 2020

Numa conferência de imprensa após a reunião de política monetária realizada hoje, Lagarde afirmou que "a economia da zona euro regista uma contração sem precedentes".

O BCE prevê uma contração económica de 8,7% na zona euro em 2020, devido à pandemia, e que recupere 5,2% em 2021 e 3,3% em 2022.

Para a presidente do BCE, tanto a contração como a recuperação "dependem da duração e da eficácia" das medidas de confinamento, das medidas de relançamento e do apoio ao emprego, bem como do "impacto duradouro" da pandemia de Covid-19 na procura.

Estas projeções macroeconómicas são as do cenário base do BCE, mas os economistas da instituição prepararam duas trajetórias "alternativas". As três séries de números devem ser publicados em comunicado ainda hoje.

No entanto, o "balanço dos riscos" é negativo, indicou Lagarde, acrescentando que é mais provável que mude para um cenário mais sombrio do que surpreender positivamente.

O BCE também reviu em baixa acentuada as suas previsões de inflação na zona euro em 2020, 2021 e 2022.

Em 2020, a inflação esperada é de 0,3%, em 2021 é de 0,8% e de 1,3% em 2022, quando em março tinham sido divulgadas previsões de 1,1%, de 1,4% e de 1,6%, respetivamente.

Estes números ficam bastante afastados do objetivo do BCE de alcançar uma inflação "próxima, mas ligeiramente abaixo de 2%".

/ Publicada por ALM