A Molaflex Colchões S.A., instalada em Santa Maria da Feira, suspendeu a produção até 19 de abril, alegando falta de matéria-prima, mas o BE disse hoje que o ‘lay-off’ também integra o "despedimento de 150 trabalhadores".

Em documento a que a Lusa teve acesso, a direção dessa unidade industrial do distrito de Aveiro afirma que “a empresa encontra-se numa situação de crise empresarial determinada pela paragem total da sua atividade em resultado da interrupção das cadeias de abastecimento globais, o que impede o fornecimento e funcionamento da fábrica e, consequentemente, de toda a estrutura comercial e produtiva da Molaflex".

A situação é agravada pelo facto de muitos dos trabalhadores da empresa residirem em Ovar e estarem ausentes do emprego devido à obrigatoriedade de permanecerem no domicílio durante a vigência do estado de calamidade pública decretado nesse concelho, devido à pandemia da covid-19.

Acresce ainda que os principais clientes da Molaflex "deixaram já de laborar, sendo expectável que os restantes clientes deixem de trabalhar num curtíssimo espaço de tempo".

Por tudo isso, diz o documento, a "Molaflex vê-se na necessidade imperiosa de suspender a sua atividade".

A direção da empresa diz que, "quer pela quebra no fornecimento de matérias necessárias e imprescindíveis ao fabrico, quer pela suspensão da atividade dos clientes, implicando cancelamento das encomendas, não se encontram reunidas condições para continuar a trabalhar".

O documento acrescenta que a medida vigorará até 19 de abril, prazo "eventualmente prorrogável", e adianta que irá requerer às autoridades "o apoio extraordinário à manutenção dos postos de trabalho", o que consistirá na atribuição à empresa de "um apoio financeiro por trabalhador, destinado exclusivamente ao pagamento de remunerações".

Sobre o mesmo tema, a coordenação distrital de Aveiro do BE disse hoje que a empresa está a usar de má-fé, aproveitando o argumento da falta de matéria-prima e outros para fazer um despedimento coletivo entre os seus 350 funcionários.

"Chegou ao conhecimento do BE que a Molaflex Colchões S.A. despediu 150 trabalhadores de empresas de trabalho temporário", afirma fonte do partido.

Para o BE, isso é "uma clara violação da legislação existente, já que algumas destas pessoas trabalhavam na empresa há cerca de sete a oito anos, sempre através de empresas de recrutamento, quando, na realidade, ocupavam postos de trabalho permanentes".

O partido nota igualmente que, "ainda durante a passada semana, a empresa quis obrigar todos os trabalhadores a irem de férias, mas eles recusaram".

O partido defende, por isso, que a situação "revela uma clara má-fé por parte da Molaflex, que ao longo dos últimos anos tem tido milhões de euros de lucro e ainda recebeu uma série de apoios da União Europeia, do Estado Português e da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira".

A Lusa procurou contactar a Molaflex da Feira e também a de São João da Madeira, mas nenhuma unidade atendeu os telefonemas.

/ BC