Uma reprodução da tela “São Francisco Abraçando Cristo na Cruz”, cuja pintura foi atribuída a Bartolomé Esteban Murillo, e avaliada em 1,5 milhões de euros foi na quinta-feira retirada de leilão pela Christie's, após surgirem dúvidas sobre a autoria.

Representantes da Christie's confirmaram que a peça não foi vendida no leilão, como estava programado, mas escusaram-se a dar explicações sobre a decisão.

Não fazemos declarações sobre esse assunto”, disse o gabinete de comunicação da leiloeira.

Dias depois de ter sido anunciado que esta obra estava no catálogo de vendas de Velhos Mestres, o historiador de arte Pablo Hereza, especialista em obras de Murillo, questionou nas redes sociais a autoria da reprodução e expôs, lado a lado, uma foto do original e uma foto da peça que seria leiloada.

Acho que nunca tinha feito declarações sobre uma venda em leilão, mas, neste momento, parece-me que o devo fazer por uma questão de honestidade profissional”, afirmou.

A Christie's explicou, na altura em que anunciou o leilão, que a pintura era um “ricordo”, ou seja, uma cópia da sua obra feita pelo próprio pintor, e que estava, “em condições fantásticas”.

Segundo a empresa, a peça foi analisada pelo historiador de arte Enrique Valdivieso, que concluiu que se tratava de uma reprodução de excelente qualidade realizada por Murillo.

A obra está avaliada num intervalo entre 1,2 milhões e 1,8 milhões de dólares (entre um e cerca de 1,5 milhões de euros).

Embora já conheçamos cópias das obras de Murillo, descobrir um duplicado do próprio autor, escondido numa coleção particular durante tanto tempo, é um achado maravilhoso”, disse, na altura, o diretor de vendas dos Velhos Mestres da Christie's, Jonquil O'Reilly.

O representante da Christie’s acrescentou que o quadro era muito especial, já que era possível observar, “nas radiografias, o 'pentimenti' [como são chamadas de pinceladas que foram escondidas sob modificações] e o artista a mudar de ideia, a rever e reposicionar elementos da sua composição”.

São Francisco abraçado a Cristo na Cruz” foi pintado por Murillo no âmbito de uma encomenda da Ordem dos Capuchinhos, em 1665, e acabou por formar uma série de oito quadros, transformando-se não só no mais ambicioso projeto do artista como também num dos grupos de obras mais importantes do século XVII em Espanha.

A série de pinturas foi dividida em 1835 e só há alguns anos, em 2017, foi reunida para uma exposição no Museu de Belas Artes de Sevilha.

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