Em mais uma emissão de dívida de curto prazo, o Estado português conseguiu esta quarta-feira colocar 1.250 milhões de euros (o limite mínimo daquilo que estava previsto) a taxas ainda mais negativas do que na última operação do género.

O leilão decorreu num dia de particular cautela por parte dos investidores, já que há eleições legislativas a decorrer na Holanda, que vão testar o populismo na Europa, e há logo à tarde reunião da Reserva Federal norte-americana, que poderá anunciar uma subida das taxas de juro.

Foram a jogo duas linhas de bilhetes do tesouro: a seis e 12 meses. No prazo mais curto, foram colocados 250 milhões de euros a -0,158%, o que compara com a taxa de 0,091% da última emissão semelhante.

O maior montante de dívida vencerá daqui a um ano. São 1.000 milhões de euros, também a uma taxa ainda mais negativa (-0,112% face aos -0,0096% da emissão anterior.

A procura manteve-se mais ou menos estável face à oferta a 12 meses (1,9 vezes), sendo que na emissão a seis meses ainda subiu ligeiramente para 3,852 vezes.

Portugal tem conseguido taxas negativas com a perspetiva de continuação do apoio do BCE. Segundo o economista-chefe do BCE, Peter Praet, aqui citado pela Reuters, o banco central não está ainda numa posição para terminar os estímulos extraordinários, apesar de uma melhoria das perspetivas de crescimento.

O programa de compra de activos do BCE tem sido, de resto, a chave para contar os custos de financiamento de Portugal e de outros países da zona euro.

No mercado secundário, os juros da dívida a 10 anos (que servem de referência) continuam a rondar os 4%.

O ministro das Finanças, Mário Centeno, queixou-se esta semana de Portugal estar a ser tratado de forma injusta pelos mercados, quando entende que o país tem dado provas de uma trajetória orçamental para vitalizar a economia e que fez por conseguir sair (como se espera) do procedimento por défice excessivo.